Uma pesquisa inovadora realizada pelo Laboratório de Medicina Tropical (LabMedt) da Universidade Federal do Acre (Ufac) revelou a presença de triatomíneos, popularmente conhecidos como barbeiros, em andares elevados de um condomínio em Rio Branco. O estudo, conduzido durante o mestrado de Manoella da Silva Moura no programa de pós-graduação em Ciência da Saúde na Amazônia Ocidental, destacou a ocorrência desses insetos do 2º ao 13º andar de um prédio residencial.
O professor Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti, que coordena a pesquisa ao lado da professora Mariane Albuquerque Lima Ribeiro, enfatizou a importância dessa descoberta. “É um fato inédito na ciência encontrar esses vetores em andares tão altos”, afirmou Meneguetti. O artigo que documenta essa pesquisa foi publicado na “Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical” com o título provocativo “Voando para a Lua: Relatos Impactantes da Invasão de Triatomíneos do 2º ao 13º Andar de um Edifício Residencial Urbano no Município de Rio Branco, Acre, Brasil”.
Embora a presença de barbeiros em residências já tenha sido relatada em estudos anteriores do LabMedt, a detecção desses insetos em andares tão elevados gera preocupações sobre o risco de transmissão da doença de Chagas, uma enfermidade ainda negligenciada na região. Além dos apartamentos, os pesquisadores identificaram barbeiros em localidades inusitadas, como penitenciárias, hospitais, postos de saúde, igrejas e escolas.
Meneguetti sugere que o aumento no número desses insetos pode estar relacionado ao desmatamento e às queimadas intensificadas no estado. “Essas práticas ambientais vêm destruindo o habitat natural dos barbeiros, que buscam novos abrigos e acabam se atraindo pelas luzes das construções urbanas”, concluiu o professor.
Essa descoberta ressalta a necessidade urgente de conscientização e medidas preventivas quanto à saúde pública no estado do Acre.









