RIO BRANCO (AC) – 10 de janeiro de 2026 – A aprovação do Orçamento Federal de 2026 pelo Congresso Nacional trouxe reduções nos recursos destinados à educação que impactam diretamente o Instituto Federal do Acre (Ifac). Com uma queda de 7,16% em relação ao valor inicialmente previsto, a instituição enfrentará uma perda de cerca de R$ 1,8 milhão — um montante equivalente a quase um mês completo de funcionamento, já que o custeio anual representa cerca de 8,33% por mês.
O recorte atinge o orçamento discricionário dos Institutos Federais, que financia despesas essenciais do dia a dia: pagamento de serviços básicos como água e energia, vigilância, limpeza e manutenção predial. Além disso, recursos para ensino, pesquisa, extensão, inovação e assistência estudantil também são afetados de forma proporcional.
O pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional do Ifac, Ubiracy Dantas, explica que o cenário é ainda mais desafiador devido ao reajuste de contratos pela inflação e ao aumento contínuo dos custos operacionais. “Quando analisamos toda a Rede Federal, esse impacto pode chegar próximo de R$ 200 milhões”, destacou o pró-reitor.
Um dos setores mais vulneráveis é a assistência estudantil, que garante a permanência de jovens de baixa renda, moradores da zona rural, comunidades indígenas e ribeirinhas — muitos deles percorrem longas distâncias para chegar aos campi. Auxílios para alimentação, transporte e moradia podem ser reduzidos, afetando diretamente o acesso à educação de quem mais precisa.
Além disso, projetos de pesquisa aplicada, ações de extensão voltadas às comunidades locais e iniciativas de inovação correm risco de retração, limitando o papel do Ifac no desenvolvimento regional.
O reitor Fábio Storch de Oliveira manifesta preocupação com os reflexos a médio e longo prazo. “O Ifac cumpre um papel fundamental ao levar educação pública e de qualidade ao Acre. Quando o orçamento é reduzido, não estamos falando apenas de números, mas de estudantes que podem perder apoio e de oportunidades que deixam de chegar às comunidades acreanas”, afirmou.
Para a gestão da instituição, o desafio será manter a qualidade dos serviços e a presença em todas as regiões do estado. “É essencial que a educação continue sendo prioridade nas decisões orçamentárias do país, especialmente em estados como o Acre, onde o impacto social dos Institutos Federais é ainda mais significativo”, concluiu o reitor.









