RIO BRANCO (AC), 30 de jan. — Os registros de estupro de vulnerável no Acre saltaram 527,47% na última década, revelando uma escalada alarmante da violência sexual contra crianças e adolescentes no estado. Informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp Infoseg) apontam que o número de vítimas passou de 91 em 2015 para 571 em 2025 — dado ainda em consolidação, mas que mantém o patamar elevado registrado nos últimos anos.
Ao todo, foram contabilizadas 4.269 vítimas no período analisado, o que representa uma média aproximada de um caso por dia no Acre. A taxa para 2025 é de 64,57 ocorrências por 100 mil habitantes.
O crescimento não foi linear: após oscilações iniciais, os registros começaram a subir de forma acentuada a partir de 2018, quando foram registrados 307 casos. Em 2019, o número chegou a 350, passando para 403 em 2020 e atingindo 582 vítimas em 2021. Após uma leve queda em 2022 (539 registros), os casos voltaram a crescer em 2023 (552) e atingiram o pico histórico em 2024, com 697 ocorrências.
O recorte por sexo evidencia que a violência atinge majoritariamente o público feminino: das quase 4,3 mil vítimas, 3.063 são meninas, enquanto 1.159 são meninos. Em 47 casos, o sexo não foi informado nos registros.
Rio Branco concentra a maior parte dos registros, fato que reflete tanto o tamanho da população quanto a maior estrutura de registro e investigação na capital. No entanto, os dados indicam que o problema é disseminado, com ocorrências em municípios de diversas regiões do Acre, inclusive de pequeno porte.
Um ponto de atenção é o elevado número de registros classificados como “Não se aplica / Não informado” em relação à localização, o que aponta para fragilidades no preenchimento das informações e pode mascarar a real distribuição territorial dos crimes.









