RIO BRANCO (AC) – Os orelhões, símbolo da telefonia pública no Brasil por mais de cinco décadas, estão chegando ao fim do caminho no Acre. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apontam que 139 unidades ainda estão instaladas no estado – distribuídas entre as operadoras Claro (103 aparelhos) e Oi (36) –, sendo que 92 permanecem ativos (66,2% do total) e 47 se encontram em manutenção (33,8%).
O cenário reflete um processo nacional de desativação dos equipamentos, que já contavam com mais de 1,5 milhão de terminais em seu auge. No país todo, cerca de 38 mil orelhões ainda resistem ao tempo, mas sua retirada em massa de carcaças e aparelhos desativados iniciará em janeiro de 2026. A única exceção será para localidades onde não há cobertura de telefonia móvel, onde os equipamentos poderão ficar até 2028.
A maioria dos orelhões acreanos está localizada em áreas rurais, aldeias, seringais e unidades de conservação. Exemplos incluem a Aldeia Terra Nova (Rio Envira, em Feijó), a Floresta Estadual Antimary (Bujari) e o seringal Icuria (Assis Brasil), todos com aparelhos em funcionamento.
Feijó lidera o ranking com 27 unidades instaladas, seguida por Sena Madureira (24) e Tarauacá (22). Rodrigues Alves conta com 11 orelhões, enquanto Cruzeiro do Sul tem 8. Mâncio Lima e Marechal Thaumaturgo dispõem de 6 cada, e Manoel Urbano, Senador Guiomard, Porto Walter e Assis Brasil possuem 4 unidades cada. Outros municípios, como Bujari (3), Porto Acre (2), além de Acrelândia, Brasiléia, Capixaba, Xapuri, Rio Branco e Santa Rosa do Purus, registram entre um e três equipamentos.
Lançados em todo o Brasil em 1972, os orelhões têm seu design assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no país. A rede foi mantida por concessionárias de telefonia fixa como uma obrigação contratual, fazendo parte do cotidiano de milhões de brasileiros que dependiam do serviço para se comunicar antes da popularização dos celulares.









