Ações de fiscalização realizadas pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Acre (CAU/AC) identificaram uma série de irregularidades em modificações feitas em unidades residenciais do Conjunto Manoel Julião, na capital acreana. O levantamento técnico detectou que diversas intervenções foram executadas sem acompanhamento de profissional habilitado e sem a devida autorização dos órgãos competentes, colocando em risco a segurança da estrutura e dos próprios moradores.
Durante as visitas aos diferentes blocos do conjunto habitacional, os fiscais constataram que, em vários casos, as obras foram realizadas sem a participação de arquiteto ou engenheiro responsável. Também foi verificada a utilização indevida de áreas coletivas para execução dos serviços, o que configura mais uma infração às normas de construção e convivência.
Segundo o conselho, o principal problema é que essas alterações, muitas vezes feitas sem conhecimento técnico, podem comprometer a integridade da edificação. O que parece ser apenas uma adaptação interna pode, na prática, afetar a sustentação da construção, causar danos à rede hidráulica ou elétrica e gerar riscos que não atingem apenas quem realiza a obra, mas todos que moram no prédio.
“Arquitetura e urbanismo não se resumem apenas à aparência ou estética. Quando uma intervenção é feita sem orientação adequada, os impactos vão muito além do visual: vão desde problemas de funcionamento até riscos graves à segurança. Em conjuntos habitacionais, o cuidado precisa ser ainda maior, pois qualquer mudança interfere na convivência e na segurança coletiva”, alertou a presidente do CAU/AC, Dandara Brito.
A operação teve início após denúncias e demandas registradas nos canais de atendimento do conselho. Todas as situações foram documentadas em relatórios técnicos e registradas por meio de fotografias, que agora fazem parte do processo administrativo aberto para investigar os fatos.
O gerente técnico e de fiscalização do CAU/AC, Ewerton Neri, reforçou o alerta à população: “Muitas vezes, as pessoas acham que se trata de uma reforma simples, mas em edifícios e moradias multifamiliares, qualquer alteração requer planejamento e assistência de um profissional qualificado. O que é feito de forma errada pode trazer consequências sérias e difíceis de resolver depois”.
Todo o material coletado já foi encaminhado para análise interna e para os órgãos competentes, que irão definir quais medidas legais e administrativas serão adotadas para regularizar a situação e garantir a segurança das edificações.












