RIO BRANCO (AC), 17 de fevereiro de 2026 — O governo do Acre divulgou nesta terça-feira uma nota pública de repúdio às declarações do técnico do Vasco da Gama do Acre, Eric Rodrigues, feitas durante entrevista em programa de televisão local sobre as investigações que envolvem quatro atletas do clube suspeitos de terem violentado sexualmente duas mulheres.
Na nota, a secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, afirmou que o treinador colocou em dúvida a atuação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e insinuou parcialidade na condução das investigações, desqualificando o trabalho técnico e legal realizado pela polícia. “Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher”, destacou a secretária.
As declarações do técnico também foram classificadas como misóginas e discriminatórias, por atribuir às mulheres responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. “Mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros. Cada pessoa responde por seus próprios atos”, ressaltou o comunicado oficial.
O governo reforçou ainda que não existe relativização em casos de violência sexual e explicou que o consentimento pode ser retirado em qualquer momento. “Consentimento não é permanente, nem automático. Ainda que tenha havido encontro ou intenção inicial de relação sexual, a ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso. Sexo sem consentimento é estupro”, destaca o texto.
Márdhia El-Shawwa informou que acompanha diretamente o caso e que as vítimas contam com o apoio do governo estadual, com acompanhamento psicológico e jurídico oferecido pela Secretaria da Mulher. Ela reiterou que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável, seja física, sexual, psicológica ou institucional. “Discursos que naturalizam, relativizam ou justificam esse tipo de violência reforçam estruturas de desigualdade, silenciam vítimas e incentivam crimes contra as mulheres”, completou.
A nota do governo é a primeira manifestação oficial de uma instituição pública sobre o caso, que envolve Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior, presos desde a semana passada. A Polícia Civil mantém o procedimento em sigilo e informa que as investigações seguem em andamento pela Deam.
CONFIRA A NOTA NA ÍNTEGRA:
O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), vem a público manifestar repúdio às declarações proferidas pelo treinador de futebol do clube Vasco da Gama-AC, em reportagens exibidas em programas de TV locais.
Durante sua fala, ao se posicionar sobre denúncias de estupro envolvendo atletas sob sua responsabilidade, o treinador desqualifica o trabalho técnico, ético e legal da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), ao insinuar suposta parcialidade na condução das investigações.
Colocar em dúvida a seriedade de profissionais da segurança pública é um desserviço à Justiça, enfraquece a confiança nas instituições e contribui para a perpetuação da impunidade em crimes de violência contra a mulher.
Causa especial preocupação, ainda, o conteúdo misógino e discriminatório presente nas declarações, ao atribuir às mulheres a responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. Mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros. Cada pessoa responde por seus próprios atos, e qualquer tentativa de transferir essa responsabilidade às mulheres configura culpabilização da vítima.
É igualmente inaceitável a tentativa de minimizar a gravidade do crime de estupro. Consentimento não é permanente, nem automático. Ainda que tenha havido encontro ou intenção inicial de relação sexual, a ausência de consentimento em qualquer momento torna o ato criminoso. Sexo sem consentimento é estupro. Além disso, os relatos de tapas e puxões de cabelo mencionados nas falas caracterizam violência física, somando-se à violência sexual, o que eleva ainda mais a gravidade dos fatos.
A Secretaria de Estado da Mulher reforça que vem fazendo o acompanhamento das vítimas do caso em questão e reafirma que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável, seja física, sexual, psicológica ou institucional.
Discursos que naturalizam, relativizam ou justificam esse tipo de violência reforçam estruturas de desigualdade, silenciam vítimas, incentivam crimes contras às mulheres e terminam por afastá-las da busca por justiça.
Por fim, o governo do Estado do Acre reitera seu compromisso com a proteção das mulheres, o respeito às vítimas, a valorização do trabalho das instituições públicas e a promoção de uma cultura de responsabilização, igualdade e respeito.
Márdhia El Shawwa
Secretária de Estado da Mulher









