RIO BRANCO (AC) – Embora as exportações do Acre para a União Europeia tenham somado US$ 12,7 milhões em 2025, um novo levantamento mostra que o potencial de vendas do estado ao mercado europeu é significativamente maior. Dezenas de produtos estão contemplados em regimes de eliminação imediata ou gradual de tarifas, além de cotas específicas, que podem elevar os valores comerciais a patamares bem acima dos atuais.
Cadeia agropecuária lidera oportunidades
O maior potencial está concentrado no segmento de alimentos e produtos agropecuários, área na qual o Acre já demonstra vocação produtiva. A carne bovina fresca, refrigerada ou congelada surge como o principal destaque, com perspectiva de alcançar US$ 27,5 milhões dentro das cotas tarifárias do grupo. Em seguida, a carne suína apresenta possibilidades de US$ 16,6 milhões, beneficiada por cotas e isenções imediatas para parte dos itens.
Outras opções no setor incluem carnes e miudezas comestíveis (US$ 3,2 milhões) e despojos preparados ou preservados, com acesso condicionado a cotas e redução gradual de impostos.
Na agricultura, a soja aparece como produto estratégico, com potencial de US$ 20,3 milhões graças à eliminação imediata de tarifas. O milho não moído pode atingir US$ 683 mil, enquanto farelos de soja e rações para animais somam US$ 419 mil em oportunidades.
No segmento de frutas e vegetais, as frutas e nozes não oleaginosas (frescas ou secas) podem chegar a US$ 12,3 milhões, com combinações de preferências tarifárias. Legumes preparados ou conservados têm potencial de US$ 33,1 mil, enquanto frutas processadas somam US$ 6,8 mil e preparações à base de cereais podem alcançar US$ 111,8 mil.
Setor florestal e matérias-primas também têm espaço
Relevante historicamente para o estado, o setor florestal apresenta oportunidades expressivas. A madeira parcialmente trabalhada e dormentes podem gerar US$ 4,9 milhões, enquanto folheados, contraplacados e outras madeiras processadas somam US$ 150,2 mil. Manufaturas de madeira têm potencial de US$ 2,6 mil, sinalizando espaço para aumento do valor agregado.
Além disso, matérias brutas de origem animal podem chegar a US$ 4,7 milhões, e produtos como ossos, chifres e conchas contam com isenção imediata de tarifas.
Bens industrializados e semimanufaturados ganham portas abertas
O acordo também abre perspectivas para uma ampla gama de produtos industrializados. O Acre pode explorar oportunidades em calçados (US$ 16,1 mil), artigos de vestuário, móveis (US$ 1,3 mil) e produtos têxteis sintéticos, com redução gradual de tarifas.
Há ainda possibilidades em máquinas agrícolas e de processamento de alimentos, equipamentos de energia e telecomunicações, bombas, ferramentas manuais, instrumentos de medição, luminárias e equipamentos domésticos. Estruturas metálicas, barras, tubos e perfis de ferro e aço também são contemplados por isenções ou reduções progressivas de impostos.
Materiais de construção como cimento, cal, vidro, além de artigos de plástico, borracha, minerais, produtos químicos, pigmentos e lubrificantes completam o leque de setores que podem se beneficiar.
Desafios devem ser superados para concretizar oportunidades
Especialistas apontam que transformar essas possibilidades em exportações efetivas depende de fatores cruciais: escala produtiva, industrialização, regularidade de oferta, certificações sanitárias e ambientais, além de melhorias em logística e acesso ao crédito.
Mesmo assim, os dados indicam que o Acre tem condições de multiplicar o valor atual de suas vendas para a UE, aproveitando a demanda europeia por produtos rastreáveis, sustentáveis e com valor agregado.









