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Pesquisa revela que 9 em cada 10 mulheres Já sofreram violência ao se deslocar à noite no Brasil

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Rio Branco, AC – 21 de novembro de 2025 – Uma pesquisa alarmante do Instituto Patrícia Galvão, realizada em parceria com o Locomotiva e com apoio da Uber, revela que nove em cada dez mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência ao se deslocar à noite para atividades de lazer. A maioria dos casos envolve violência sexual, incluindo cantadas inconvenientes, importunação e assédio sexuais.

O estudo, que ouviu 1,2 mil mulheres entre 18 e 59 anos em meados de setembro deste ano, mostra que para pelo menos 10% das entrevistadas, os momentos de descanso e diversão resultaram em estupro, índice que dobra entre mulheres da comunidade LGBTQIA+. O medo de vivenciar algo semelhante é uma realidade para 98% das brasileiras que saem à noite.

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A pesquisa também aponta que as agressões podem se agravar com a soma de fatores como perfil étnico-racial e orientação sexual. Mulheres pretas, de pele retinta, são mais frequentemente vítimas de importunação, assédio sexual, agressões físicas, estupro e racismo.

Além disso, 34% das mulheres foram vítimas de assalto, furto e sequestro relâmpago, e quase um quarto (24%) sofreu discriminação ou preconceito por alguma característica que não a étnico-racial. Mulheres LGBTQIA+ são as mais afetadas por essa forma de violência, atingindo 48% delas.

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O estudo revela que as mulheres ficam mais vulneráveis quando se deslocam a pé (73%) ou de ônibus (53%). Mesmo ao utilizar carro particular (18%), carro de aplicativo (18%), metrô (16%) ou outros meios de transporte, a probabilidade de sofrer violência ainda existe. A segurança é o principal critério para a escolha do meio de transporte (58%), seguido de conforto (12%) e praticidade (10%).

As experiências de violência e o medo constante fazem com que 63% das mulheres – e 66% das negras – que mantêm o hábito de lazer noturno já tenham desistido de sair de casa em algum momento. Além de vivenciarem a violência, 42% das entrevistadas presenciaram atos de violência de gênero contra outras mulheres, sendo que pouco mais da metade (54%) prestou auxílio.

Após os episódios de violência, 58% das vítimas foram acolhidas por alguém conhecido, desconhecido ou funcionário do estabelecimento, e 53% optaram por voltar para casa. Menos de um quinto (17%) recorreu à polícia.

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Para tentar reduzir a vulnerabilidade, as mulheres têm adotado diversas estratégias, como avisar a alguém de confiança aonde estão indo e a que horas pretendem voltar (91%), evitar transitar por locais desertos/escuros (89%), procurar companhia em trajetos de ida e volta (89%), evitar usar certos tipos de roupas ou acessórios (78%) e levar peças de roupa que cubram mais o corpo (58%).

A pesquisa do Instituto Patrícia Galvão escancara a realidade da violência de gênero no Brasil e o impacto na vida das mulheres, que têm sua liberdade e direito ao lazer cerceados pelo medo constante. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas e ações efetivas para garantir a segurança e o bem-estar das mulheres em todos os espaços, inclusive durante a noite.

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