Preço da carne sobe até 24% no Acre em 2026 e representa quase 40% do custo da cesta básica

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Preço da carne sobe até 24% no Acre em 2026 e representa quase 40% do custo da cesta básica

Mesmo contando com um rebanho que ultrapassa três cabeças de gado por habitante, o Acre enfrenta um aumento expressivo no preço da carne bovina neste ano. Dados do PET Economia da Universidade Federal do Acre (Ufac) mostram reajustes que chegam a 24,62% em alguns cortes, transformando o alimento no principal gasto das famílias acreanas — e o que mais pressiona o orçamento doméstico.

Quase metade do valor da cesta básica

Em meados de 2026, o custo total da cesta básica em Rio Branco ficou em R$ 689,11. Desse valor, nada menos que R$ 255,95 são gastos apenas com carne — o equivalente a cerca de 40% do total. Nenhum outro item chega perto desse peso: o café, por exemplo, representa R$ 66,84, e o leite, R$ 58,40.

“Quando o preço da carne sobe, todo o ganho real do salário mínimo das famílias de baixa renda acaba sendo consumido”, explicam os pesquisadores da Ufac.

Diferença grande entre locais de compra

O levantamento também apontou uma distorção importante: os supermercados praticam preços bem mais altos do que os açougues de bairro para os mesmos cortes. Os reajustes mais acentuados foram registrados nas redes de varejo:

-Filé: +24,62%
-Alcatra: +23,26%
-Contra-filé: +20,78%
-Agulha: +13,22%
-Fraldinha: +10,41%

Por que encarece tanto, mesmo com produção local?

Especialistas apontam três razões principais:

1. Logística e insumos: O transporte e a manutenção da cadeia produtiva na Amazônia Ocidental têm custos elevados, com dependência de produtos vindos de fora do estado.
2. Valorização do rebanho: O preço dos animais para reposição seguiu alto nos últimos dois anos, e esse custo é repassado ao consumidor.
3. Clima e mercado externo: Secas prolongadas reduzem a qualidade das pastagens, e a demanda de exportação faz com que frigoríficos locais alinhem os preços aos valores internacionais, diminuindo a oferta mais barata no mercado interno.

Mesmo com queda de até 20% no custo de outros itens, como óleo de soja e farinha de mandioca, o aumento contínuo da carne segue ditando o ritmo da inflação sentida no dia a dia pelas famílias que ganham até dois salários mínimos.

Preço da carne sobe até 24% no Acre em 2026 e representa quase 40% do custo da cesta básica

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