Ricco expõe contas e acusa Prefeitura de dever R$ 1,5 milhão e causar colapso

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Ricco expõe contas e acusa Prefeitura de dever R$ 1,5 milhão e causar colapso
Foto: David Medeiros

Em uma ação inédita, a Ricco Transportes resolveu abrir o “livro caixa” da empresa e mostrar à população a situação financeira do sistema de transporte coletivo. Por meio de uma série de publicações nas redes sociais nesta terça-feira (21), assinada pela sócia Bruna Fernandes Dias, a empresa apresentou um diagnóstico detalhado e fez duras acusações contra a gestão municipal.

O objetivo, segundo a própria empresa, é mostrar “a fotografia real” das contas, sem omissões, expondo entradas, saídas e o que classificam como um verdadeiro abismo financeiro.

Os dados apresentados referentes aos primeiros 20 dias de abril são alarmantes. A empresa informa que arrecadou R$ 2,84 milhões, mas teve despesas de R$ 2,91 milhões, ficando já no vermelho no período. Quando somados salários, benefícios e encargos, o rombo acumulado chega a impressionantes R$ 1,59 milhão.

“Fechamos no vermelho mesmo pagando apenas o básico para a frota rodar. O dinheiro acabou antes de pagar o essencial”, admite a empresa na apresentação, que aponta a insustentabilidade do modelo atual.

Um dos pontos centrais da explicação é a composição da demanda. A Ricco alerta que apenas 53,5% dos passageiros pagam a tarifa integral. O restante é composto por estudantes e usuários de gratuidades, direitos previstos em lei, mas que, segundo a empresa, não estão sendo ressarcidos.

A empresa calcula que, enquanto a Prefeitura repassa cerca de R$ 3,63 por passageiro, o custo real para manter o ônibus na rua seria de R$ 7,79. Essa diferença é apontada como a causa principal do problema.

Criticando diretamente a gestão municipal, a Ricco classifica a situação como um “calote institucional”. De acordo com os cálculos, em apenas 17 dias a Prefeitura deixou de repassar cerca de R$ 1,5 milhão referentes às gratuidades e ao passe estudantil.

“Este é exatamente o valor que falta para pagar nossos colaboradores e fornecedores”, afirma o material. A empresa nega má gestão e reforça: “Não é falta de vontade, é falta de receita compatível com os custos”.

Além dos valores, a nota também ataca a superintendência do sistema. “O superintendente da RBTrans segue inerte diante da crise”, diz um dos slides, citando ainda problemas como a má conservação das ruas e a tolerância a irregularidades, além do aumento do diesel que não é reposto na tarifa desde 2022.

Ao final, a empresa reafirma que chegou ao limite financeiro após tentar manter o serviço funcionando por responsabilidade com a cidade, mas que a situação tornou-se insustentável.

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