Rio Branco mobiliza-se pelo fim da escala 6×1 e por jornada de 40 horas semanais sem redução de salário

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Rio Branco mobiliza-se pelo fim da escala 6×1 e por jornada de 40 horas semanais sem redução de salário
Foto: David Medeiros

Representantes de entidades sindicais, órgãos públicos e movimentos sociais realizaram nesta sexta-feira (22) uma grande ação de conscientização em Rio Branco, em frente à empresa Contax. O ato, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, pela Superintendência Regional do Trabalho e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT), defende o fim da escala 6×1 e a aprovação de propostas que reduzem a carga horária de trabalho no Brasil, sem diminuição de vencimentos.

Durante a atividade, os organizadores distribuíram materiais explicativos e conversaram diretamente com a população e com trabalhadores para detalhar o conteúdo das Propostas de Emenda à Constituição, as PECs 221/2019 e 8/2025. O objetivo é explicar como funcionaria a transição para jornadas menores e combater a disseminação de informações incorretas sobre o tema.

Proposta prevê redução gradual até 36 horas

Para o superintendente regional do Trabalho no Acre, Leonardo Lani, as medidas contam com o apoio do Ministério do Trabalho e representam um avanço histórico. A ideia central é reduzir a jornada para 40 horas semanais de imediato, sem exigir compensação de horas, até chegar a 36 horas ao longo de dez anos.

— Essa mudança beneficiaria diretamente cerca de 8 milhões de trabalhadores que atuam na escala 6×1 e outros 37 milhões que cumprem 44 horas semanais hoje. Com a medida, passa-se a garantir pelo menos duas folgas semanais, um benefício que atinge especialmente mulheres e jovens — explicou Lani.

Ele destacou ainda que a ação na porta da Contax foi direcionada ao público jovem, que muitas vezes vê sua formação educacional interrompida por causa de cargas horárias excessivas.
— Países como França, Itália e Austrália já adotam jornadas menores. Mais tempo livre significa mais bem-estar para o trabalhador, mais produtividade para as empresas e incentivo à geração de novos empregos — completou.

Alerta contra notícias falsas e práticas incorretas

Um dos pontos centrais da fala da coordenadora do movimento VAT no Acre, Raquel Albuquerque, foi o combate ao que ela chamou de “fake news” espalhadas sobre as propostas. Segundo ela, informações distorcidas estão sendo usadas para afastar os trabalhadores de um direito que está em discussão.

— Transformaram uma única proposta em várias versões falsas para confundir. Nossa luta é clara: 40 horas semanais, sem redução de salário e sem necessidade de repor horas não trabalhadas. Qualquer modelo que exija compensação não corresponde ao que defendemos — alertou Raquel.

Ela também criticou empresas que, embora anunciem adoção de jornada reduzida, na prática exigem que os funcionários reponham o tempo. Como as PECs ainda tramitam no Congresso Nacional, não há obrigatoriedade legal atual, mas o movimento reforça que a aplicação correta da medida, quando aprovada, deve ser fiscalizada.

— Ainda não é lei, mas já estamos observando como as empresas estão se comportando. O que questionamos é se estão realmente cumprindo o princípio da redução real de carga horária, sem prejudicar o trabalhador — finalizou a coordenadora.

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