RIO BRANCO (AC) – Durante o ato público que integrou a mobilização nacional “8 de janeiro – Brasil soberano: liberdade e dignidade aos povos”, realizado nesta quinta-feira (8) no auditório da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac), o professor Hildo Montezuma defendeu que a construção do socialismo é a única solução para as crises política e econômica que atingem o país, três anos após a tentativa de golpe de Estado em Brasília.
Montezuma, que integra o Comitê Acreano de Solidariedade ao Povo da Palestina e o Centro Brasileiro de Luta pela Paz, traçou um panorama histórico que liga o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 ao episódio de 8 de janeiro de 2023. Para ele, ambos os eventos são consequências diretas da crise orgânica do capitalismo global, iniciada com a quebra do mercado imobiliário nos Estados Unidos entre 2007 e 2008.
“Não há como resolver essa crise dentro dos moldes do sistema capitalista. A alternativa efetiva passa por uma viragem socialista, que garanta justiça social, fortaleça a democracia e resguarde a soberania nacional”, destacou o educador.
Montezuma ressaltou que a organização e a mobilização da população foram decisivas para impedir que a extrema-direita concretizasse seu projeto golpista. “A única forma de evitar que esses grupos voltem a ameaçar nossas instituições é pela presença do povo nas ruas, pela luta de ideias e pelo engajamento em espaços institucionais. Sem esse empenho coletivo, eles podem se reorganizar e retomar o poder”, alertou.
O professor também relacionou os acontecimentos no Brasil a dinâmicas globais, citando o anúncio do pré-sal pelo presidente Lula em 2008 e a rearticulação da 4ª Frota da Marinha dos Estados Unidos na região. Segundo ele, essa força militar “posicionada a 200 milhas náuticas do nosso território invadiu sistemas da Petrobras e grampeou conversas da então presidente Dilma Rousseff”, demonstrando uma articulação entre interesses estrangeiros e setores da elite nacional na tentativa de desestabilizar governos de orientação progressista.
Ele lembrou ainda que movimentos de extrema-direita, como Revoltados Online e Movimento Brasil Livre, atuaram em sintonia com veículos de comunicação e setores do Judiciário. “As manifestações de 2013 e 2014 não foram espontâneas. Foram orquestradas por interesses externos e setores da burguesia brasileira para construir a narrativa de corrupção da esquerda”, afirmou.
No encerramento de sua fala, Montezuma adotou uma perspectiva internacionalista, relacionando as situações na Venezuela e em Gaza à crise do sistema capitalista. “A luta pela paz é uma bandeira revolucionária, e a defesa do socialismo representa a alternativa definitiva contra guerras, fome, miséria e desemprego. Sem essa perspectiva, nossa luta fica limitada à metade do caminho”, destacou.
O professor convocou os presentes a se engajarem politicamente nas eleições de 2026, com o objetivo de reeleger o presidente Lula. “Com esse espírito, devemos nos preparar para garantir a reeleição de Lula, reafirmar nossa solidariedade aos povos da Venezuela e da Palestina, e clamar com força: Viva o socialismo e abaixe o imperialismo”, finalizou.









