Dormir mal pode fazer seu próprio sistema imunológico atacar o organismo, alerta especialista

3 Min Read
Dormir mal pode fazer seu próprio sistema imunológico atacar o organismo, alerta especialista
Dormir mal pode fazer seu próprio sistema imunológico atacar o organismo, alerta especialista Crédito: Freepik

Dormir bem vai muito além de acordar disposto no dia seguinte. Cada vez mais estudos mostram que o sono exerce um papel importante no funcionamento do sistema imunológico e pode influenciar diretamente doenças em que o próprio organismo passa a atacar suas células, como artrite reumatoide, lúpus, psoríase, esclerose múltipla e doença de Crohn.

Embora fatores genéticos sejam determinantes para o surgimento dessas enfermidades, especialistas afirmam que hábitos de vida também interferem na evolução do quadro. Entre eles, um costuma ser negligenciado: o descanso. Segundo o médico intensivista e nutrólogo William Rutzen, autor do livro Desinflamar para Viver Melhor, grande parte dos mecanismos responsáveis por controlar a inflamação acontece justamente durante o sono.

“O organismo possui mecanismos extremamente sofisticados para controlar inflamações. Grande parte desse trabalho acontece durante o sono e nos períodos de repouso. Quando essa recuperação é constantemente interrompida, o sistema imunológico pode perder parte da sua capacidade de autorregulação”, explica.

O que acontece quando se dorme mal

Diversas pesquisas apontam que noites mal dormidas aumentam a produção de substâncias inflamatórias, conhecidas como citocinas pró-inflamatórias. Esse processo favorece um estado de inflamação persistente, característica comum em pacientes com doenças autoimunes.

Além disso, a privação de sono altera a produção hormonal, eleva os níveis de cortisol e compromete mecanismos naturais de reparação das células. “O sono não é um período de inatividade. É durante esse momento que o organismo realiza processos fundamentais de reparação dos tecidos, reorganiza funções metabólicas e regula diversas respostas imunológicas. Dormir pouco ou mal significa interromper parte desse trabalho”, afirma Rutzen.

Descansar também faz parte do tratamento

O especialista ressalta que repouso não significa apenas dormir mais horas. Respeitar os limites do corpo, evitar excesso de esforço durante crises inflamatórias e criar momentos de desaceleração ao longo da rotina também fazem parte do processo de recuperação do organismo.

Segundo ele, permanecer constantemente em estado de alerta mantém elevados os níveis dos hormônios relacionados ao estresse, favorecendo processos inflamatórios que podem agravar doenças crônicas. “O descanso deixou de ser visto apenas como ausência de atividade. Hoje sabemos que ele representa uma estratégia biológica de recuperação. O corpo precisa alternar momentos de ação com momentos de reparação para funcionar adequadamente”.

O repouso não substitui o tratamento

Rutzen reforça que dormir bem, controlar o estresse e respeitar os períodos de recuperação não substituem medicamentos nem o acompanhamento médico. No entanto, esses hábitos podem atuar de forma complementar ao tratamento, juntamente com alimentação equilibrada e prática orientada de atividade física.

“Não existe solução única para controlar uma doença autoimune. O tratamento é construído por várias peças, e o repouso é uma delas. Cuidar da recuperação do organismo significa oferecer ao sistema imunológico melhores condições para exercer sua função de maneira equilibrada”, conclui.

Propaganda
Compartilhe este artigo