O chatbot de suporte do WhatsApp recebeu orientações para não recomendar órgãos de proteção de dados e evitar referências a legislações como a LGPD brasileira. As instruções foram encontradas no código de páginas da Central de Ajuda do aplicativo pela Redact, empresa especializada em privacidade digital, e divulgadas pela Wired nesta segunda-feira (19).
A Meta afirmou que o material apareceu nas páginas por um erro técnico, já corrigido. Segundo a companhia, as diretrizes eram destinadas ao atendimento por inteligência artificial e buscavam tornar as respostas mais precisas e relevantes.
Restrições envolviam leis e orientações sobre direitos
Em uma página dedicada a denúncias e bloqueios, a IA era instruída a não fazer referência à Lei Geral de Proteção de Dados, inclusive quando o próprio usuário mencionasse a legislação. A orientação também abrangia o GDPR, regulamento de proteção de dados da União Europeia, e a CCPA, lei de privacidade do consumidor da Califórnia, nos Estados Unidos.
Já o conteúdo sobre exclusão de contas determinava que o chatbot não sugerisse procurar autoridades de proteção de dados, reguladores ou entidades fiscalizadoras.
Havia ainda restrições para situações em que os usuários citassem advogados, ações judiciais ou tribunais. Nesses casos, o sistema deveria evitar citar ou interpretar os Termos de Serviço, a Política de Privacidade e outros documentos jurídicos do WhatsApp.
Análise encontrou 102 blocos de instruções
A Redact examinou 545 páginas da Central de Ajuda e localizou 102 blocos de orientações em 80 delas. O conteúdo não aparecia durante a navegação comum: estava inserido no código sob a identificação “HelpContentGalaxyLLMInclude”.
Parte dos blocos continha seções chamadas “O que não dizer”. As diretrizes, porém, não se limitavam a questões legais. Também havia recomendações para encaminhar usuários aos canais oficiais de atendimento, não mencionar funcionalidades ainda não lançadas e responder a perguntas de pessoas com deficiência auditiva.
Meta diz que chatbot não deve dar aconselhamento jurídico
Após o contato da Wired, a Meta removeu as instruções das páginas. Joshua Breckman, porta-voz do WhatsApp, disse ao veículo que um bug havia exposto o conteúdo, preparado exclusivamente para orientar o chatbot.
Sobre as limitações relacionadas às leis, Breckman explicou que a empresa pretende manter o atendimento automatizado voltado ao funcionamento do aplicativo, sem oferecer aconselhamento jurídico.
A Redact confirmou que todos os 102 blocos já haviam sido retirados até 18 de outubro. O material ainda pode ser encontrado em versões arquivadas das páginas. Não foi esclarecido por quanto tempo ficou exposto nem se chegou a ser acessado por outros sistemas de inteligência artificial.












