O governo Gladson Cameli caminha para um desfecho decepcionante no que diz respeito ao funcionalismo público. Ao longo de sua gestão, o governador adotou, de forma reiterada, um discurso de valorização e reconhecimento dos servidores — discurso este que, na prática, não se concretizou de maneira consistente.
Durante os oito anos de mandato, os avanços foram tímidos e pontuais. Houve contratações nas áreas de saúde e educação, porém, em sua maioria, baseadas em vínculos temporários, sem a solidez necessária para estruturar o serviço público. Na segurança pública, os reforços, salvo raras exceções, limitaram-se à reposição de vacâncias decorrentes de aposentadorias, sem efetivo incremento do quadro.
Um exemplo emblemático dessa aparente expansão foi o caso dos policiais penais: ao mesmo tempo em que se nomeava pouco mais de uma centena de novos servidores concursados, desligava-se número semelhante de profissionais provisórios, gerando um efeito prático quase nulo no fortalecimento da categoria.
Além disso, promessas feitas ainda no primeiro mandato permaneceram sem cumprimento. É o caso dos peritos criminais, uma categoria pequena em número, mas de relevância essencial para o sistema de justiça, que não obteve a equiparação remuneratória com os delegados — prática já consolidada em instituições como a Polícia Federal.
Entre os militares estaduais, o sentimento também é de frustração. Há relatos de que compromissos foram assumidos publicamente, inclusive com forte carga pessoal por parte do governador, e posteriormente não honrados, o que compromete a credibilidade política construída junto à categoria.
Esse cenário ficou evidente nas recentes manifestações em frente à ALEAC, onde diversas categorias expuseram insatisfações acumuladas ao longo dos anos. Entre as principais reivindicações comuns estão a majoração do auxílio-alimentação, a implementação de auxílio-saúde e a reposição das perdas inflacionárias.
Diante desse contexto, a avaliação que se impõe é clara: caso não haja, nos momentos finais do governo, medidas concretas de valorização, o desgaste junto ao funcionalismo tende a se consolidar — com reflexos inevitáveis no campo político.
E agora, governador?








