Em meio à grave crise financeira que atinge a Ricco Transportes, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Acre (SINTTPAC) divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (21) classificando a situação como calamitosa. A entidade, representada por Antônio de Oliveira Neto, aponta o dedo diretamente para a gestão municipal, acusando-a de assistir de forma passiva ao desabamento do sistema.
O comunicado surge logo após a empresa abrir suas contas e revelar prejuízos milionários. Para o sindicado, o problema já ultrapassou a questão administrativa e se tornou uma questão de sobrevivência para a categoria. “Este comunicado é um pedido de socorro de trabalhadores que chegaram ao seu limite”, trecho do documento.
A situação dos funcionários é crítica. Conforme a entidade, a Ricco confirmou oficialmente que não há previsão para pagamento dos salários de março de 2026, muito menos para o vale-alimentação. “Sem renda e sem benefícios, o trabalhador é empurrado para a precariedade absoluta”, afirma a nota.
Além disso, outro grave problema levantado é a retenção de valores descontados em folha para empréstimos consignados que não estão sendo repassados aos bancos. A prática está gerando “inadimplência forçada”, fazendo com que nomes de funcionários sejam negativados, impedindo-os de acessar qualquer tipo de crédito.
Embora critique a gestão da empresa, o SINTTPAC atribui a maior parte da responsabilidade à Prefeitura de Rio Branco. O texto é contundente ao afirmar que é “inadmissível” que o poder público veja o sistema quebrar sem tomar atitude, deixando a população e os trabalhadores à mercê do caos.
A entidade alega que já acionou o Ministério Público Estadual e o do Trabalho para investigar o caso. Entre os pedidos estão a intervenção na empresa, afastamento dos administradores e uma cobrança dura para que a RBTrans exerça, de fato, seu papel de fiscalizadora.
A respeito da paralisação total anunciada para esta quarta-feira (22), o sindicato esclarece que o movimento não foi organizado pela direção da entidade. Trata-se, segundo eles, de uma decisão individual e humana dos trabalhadores, que se viram sem condições de continuar trabalhando sem receber.
O SINTTPAC lembra que, por lei, não poderia apoiar uma paralisação total de serviço essencial, mas admite não ter como controlar a revolta de quem trabalha e não é pago. Ao final, a entidade faz um apelo por medidas urgentes, lembrando que a ordem pública e o direito de ir e vir dependem do respeito aos direitos de quem mantém o sistema funcionando.













