‘Odor muito forte’: consumidora denunciou produto contaminado da Ypê meses antes de decisão da Anvisa

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'Odor muito forte': consumidora denunciou produto contaminado da Ypê meses antes de decisão da Anvisa
Karoliny de Abreu Souza reclamou com a Ypê Crédito: Reprodução

A decisão da Anvisa de suspender a fabricação e determinar o recolhimento de lotes contaminados da Ypê, anunciada nesta quinta-feira (7), ocorre meses após uma consumidora relatar problemas semelhantes em produtos da marca.

Ainda em dezembro de 2025, a cliente Karoliny de Abreu Souza afirmou ter identificado alterações em unidades de Lava Roupas Líquido adquiridas pouco depois do lançamento da linha. Segundo ela, o primeiro sinal de que havia algo errado foi o cheiro intenso ao abrir as embalagens.

“Achei estranho, mas pensei: ‘Deve ser desse produto, que é novo, e eu não estou acostumada’. Mas eu havia comprado mais de uma embalagem e, quando fui abrir a segunda, ela estava meio estufada e com um cheiro muito forte”, contou ao Cidade Alerta de Santa Catarina.

Na época, Karoliny entrou em contato com a empresa por e-mail para relatar o problema. Em resposta enviada em 1º de dezembro de 2025, a Ypê informou que um laboratório independente havia detectado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em algumas versões do Lava Roupas Líquido.

“Embora o risco seja mínimo para a maioria dos consumidores, por precaução estamos recolhendo os produtos afetados”, afirmou a empresa na ocasião.

A consumidora disse ainda que questionou a fabricante sobre possíveis riscos à saúde, já que havia utilizado parte do produto antes de perceber o problema. “Mas eles me disseram que não”, afirmou.

Depois da reclamação, a empresa recolheu a embalagem suspeita e enviou outra unidade para substituição. No entanto, Karoliny afirma que percebeu novamente um odor forte no novo produto e decidiu interromper o uso. “Pensei que fosse algo realmente da linha”, disse.

Meses depois, em março de 2026, ela recebeu uma nova resposta da empresa. Segundo o comunicado, análises feitas pelo Laboratório de Controle de Qualidade identificaram alterações nas fragrâncias das amostras encaminhadas pela cliente.

“Informamos que intensificaremos nossas medidas e ações preventivas para que isto não volte a ocorrer. Todos os nossos produtos são submetidos a um contínuo controle de qualidade, que permeiam as etapas de fabricação, visando atender às expectativas dos consumidores, bem como buscar melhorias”, informou a Ypê.

Após os episódios, Karoliny afirmou ter abandonado a marca por receio de possíveis impactos à saúde. “Fiquei muito preocupada de ter alguma lesão para minha saúde. Porque era uma bactéria e a gente estava lavando roupa, e a roupa vai em contato com nosso corpo. Essa foi minha maior preocupação”, declarou.

Em nota, a Ypê afirmou que a bactéria Pseudomonas aeruginosa é encontrada com frequência no ar e na água e possui “mínima probabilidade” de causar danos à saúde da maioria das pessoas. A empresa ressaltou, porém, que o microrganismo pode agravar infecções em indivíduos imunocomprometidos e, por precaução, decidiu recolher os lotes afetados.

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