Quase a totalidade dos valores despendidos nas campanhas eleitorais em curso no Acre tem origem no erário. Até a última quarta-feira (16), os candidatos e partidos registraram R$ 28,7 milhões em gastos efetivados, dos quais impressionantes 97,9% vêm de fontes públicas — o equivalente a R$ 28,1 milhões. Os recursos de origem privada representam uma fatia ínfima, de apenas 2,1%, ou R$ 602,5 mil.
Os números fazem parte do levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disponibilizado por meio do sistema oficial de prestação de contas.
Quando excluídas as transferências internas entre candidatos, legendas e comitês — que somam R$ 5 milhões, todos de origem pública —, o cenário praticamente não se altera: dos R$ 23,6 milhões efetivamente aplicados, 97,45% são do Tesouro e somente 2,55% vêm de doações particulares.
A divisão por fundos revela que o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) é, de longe, a principal fonte, com R$ 21,5 milhões em saídas diretas e mais R$ 1,1 milhão movimentado em repasses entre contas. Já o Fundo Partidário responde por R$ 1,5 milhão em gastos próprios e R$ 3,9 milhões em transferências internas. Os recursos classificados como “Outros Recursos”, que correspondem à iniciativa privada, totalizam R$ 602,5 mil sem repasses entre agentes.
Entre os destinos dos recursos declarados estão impressos e materiais de divulgação, doações financeiras a outras campanhas, contratação de serviços profissionais, produção de conteúdo para rádio, TV e internet, assessoria jurídica e contábil, além de gastos com deslocamento e combustíveis.
A discrepância entre as fontes evidencia uma dependência quase integral do financiamento estatal nas disputas eleitorais acreanas, com a participação da sociedade civil por meio de doações mantendo-se em patamar muito reduzido.












