A empresária Denise Borges, à frente de um restaurante em Rio Branco, usou as redes sociais nesta quarta-feira (16) para provocar uma reflexão sobre os limites dos programas de transferência de renda e o papel do trabalho na transformação de vida. Sem rejeitar a importância de iniciativas como o Bolsa Família, ela defende que a dependência exclusiva de auxílios pode aprisionar pessoas em situação de vulnerabilidade.
Denise começa reconhecendo o alcance positivo do programa: “Concordo que o benefício levou quem não tinha o que comer para uma condição de dignidade básica. Permite comprar alimento, pagar conta de luz, telefone… Mas não pode ser o fim da estrada”, pondera.
O ponto central de sua fala vem acompanhado de um relato vivido no próprio negócio. Segundo ela, uma mulher que costumava pedir auxílio na porta do estabelecimento aceitou a oportunidade de emprego, foi integrada à cozinha e demonstrou grande facilidade de aprendizado. Porém, assim que a empresária precisou se ausentar, a funcionária deixou de comparecer e não retornou.
Ao reencontrá-la, ouviu como justificativa a dificuldade de locomoção em dias de chuva. Foi então que Denise lançou a comparação: “Todos os outros que aqui trabalham têm bicicleta, condução, veículo. Sabem por quê? Porque trabalham. O emprego gera os meios de se deslocar, não o contrário”.
Para ela, a diferença entre quem trabalha e quem depende apenas de benefícios se reflete no dia a dia: “Quem tem emprego planeja, junta dinheiro, viaja, mobilia a casa, constrói sonhos. Com o valor do Bolsa Família, não dá para comprar uma mesa nova para a cozinha. Dá para sobreviver, mas não para avançar”, argumenta.
A crítica mais contundente recai sobre o que classifica como troca de uma situação por outra, sem avanço real: “Dizem que tiramos o Brasil do mapa da fome. É verdade. Mas corremos o risco de colocar milhões no mapa da pobreza permanente, sem perspectiva de autonomia”, alerta.
No caso que apresentou, a empresária conclui que a escolha da ex-funcionária foi consciente: “Ela preferiu a segurança do benefício a um salário maior e a chance de crescer. E isso é o que mais preocupa”, observa.
Denise encerra reforçando a crença no trabalho como motor de prosperidade e anuncia que trará novos relatos sobre o tema: “Quem trabalha evolui, conquista, transforma a própria realidade. Essa força precisa ser estimulada, não substituída”.












