Numa mudança de tom em relação à noite de domingo, o Partido Liberal (PL) reconheceu oficialmente, nesta segunda-feira (26), a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. Em nota, o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que “reconhecemos o resultado presidencial proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral”, embora tenha ressaltado que os questionamentos levantados devem ser esclarecidos dentro de um debate democrático.
No dia anterior, Flávio Bolsonaro havia classificado a eleição como “não normal” e chegara a declarar que iria pedir a anulação do pleito. Nesta segunda, em vídeo divulgado nas redes sociais, ele adotou uma nova postura: sem reconhecer a derrota de forma explícita, anunciou que vai pedir a cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder econômico, e não mais a anulação da eleição em si.
“Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu”, declarou.
Flávio também definiu sua posição política para os próximos quatro anos. “Eu vou organizar a oposição. Fizemos a maioria no Senado e na Câmara. Vamos transformar o Congresso Nacional em uma fortaleza”, afirmou, referindo-se à expressiva bancada eleita por partidos de direita e centro-direita. Ele ainda agradeceu aos quase 60 milhões de eleitores que o apoiaram e reforçou que não vai desistir de suas bandeiras.
Segundo interlocutores do senador, a mudança de postura ocorreu após conversas com aliados importantes — entre eles o senador Rogério Marinho, o governador Tarcísio de Freitas e a equipe jurídica liderada pela ex-ministra Maria Claudia Bucchianeri. A avaliação interna foi de que as declarações do domingo foram feitas “com o fígado” e que a tese de fraude nas urnas não teria sustentação. A direção do PL decidiu concentrar questionamentos apenas em pontos que consideram irregulares na campanha adversária, sem contestar o sistema eleitoral.
Outras lideranças já haviam sinalizado a necessidade de aceitar o veredito das urnas. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) destacou: “Estaremos lá para fiscalizar esse governo e lutar pelo país que queremos”. Já o médico Cláudio Lottenberg, indicado por Flávio para a pasta da Saúde em caso de vitória, declarou: “A resposta das urnas é o desejo da sociedade. Cabe a nós respeitar”.
Com 64 milhões de votos, Lula foi proclamado vencedor com 51,79% dos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O novo mandato tem início em 1º de janeiro.












