Brasileiros que vivem no Paraguai estão entre os clientes afetados pela intervenção no Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país. A medida, adotada pelos órgãos reguladores após identificarem que a instituição estava subcapitalizada, provocou o congelamento temporário de contas, dificuldades para movimentar dinheiro e filas em agências de outros bancos. A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo.
O Banco Central afirmou que precisava agir rapidamente para proteger os depósitos e limitar os impactos sobre o sistema financeiro. Segundo os reguladores, o índice de solvência (mede a capacidade de uma empresa de pagar todas as suas dívidas) do Ueno caiu abaixo do mínimo exigido de 50% após ajustes nos balanços patrimoniais.
A instituição possui cerca de 3 milhões de clientes, em um país com aproximadamente 6,1 milhões de habitantes. O banco também administra cerca de US$ 869 milhões em depósitos do governo paraguaio, valor equivalente a 29% dos depósitos da instituição no fim de junho.
Brasileiros estão entre os afetados
Brasileiros e descendentes que vivem no Paraguai estão entre os clientes atingidos pela interrupção das operações. Quem dependia exclusivamente do Ueno enfrenta dificuldades para movimentar as economias, enquanto clientes com contas em outras instituições conseguiram reduzir os impactos.
A paraguaia Isabela, de 21 anos, transferiu o dinheiro para uma conta no Itaú antes da paralisação, após ouvir rumores sobre a situação do banco. A mãe e a irmã dela, porém, mantiveram os recursos no Ueno e tiveram os valores bloqueados.
“A situação é bem triste, porque os boatos de que o banco iria fechar já circulavam há meses. Eu acreditei, abri uma conta no Itaú e coloquei todo o meu dinheiro lá. Mas muitos não acreditaram, porque era um banco muito grande, e acabaram ficando sem o dinheiro. Minha mãe e minha irmã são esse caso”, disse ao jornal O Globo.
Na quarta-feira (4), a preocupação dos clientes aumentou. Aplicativos de diferentes instituições financeiras apresentaram instabilidade, enquanto pessoas procuravam agências para sacar dinheiro ou buscar informações sobre a situação.
Vídeos que circularam nas redes sociais e em veículos de comunicação paraguaios mostraram policiais em frente às unidades do Ueno e clientes formando filas.
A intervenção também aumentou a pressão sobre o presidente do Paraguai, Santiago Peña. Antes de deixar o cargo, Carlos Carvallo anunciou que permaneceria à frente do Banco Central até a conclusão do processo.
“Minha renúncia está assinada”, afirmou Carvallo em entrevista coletiva em Assunção. Segundo ele, a decisão foi tomada porque “o Banco Central do Paraguai precisa de tranquilidade para realizar seu trabalho”.










