Desmatamento no Brasil cai 20,6% em 2025, mas Cerrado segue como o bioma mais afetado

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Desmatamento no Brasil cai 20,6% em 2025, mas Cerrado segue como o bioma mais afetado

Pela primeira vez em seis anos, a área total de vegetação nativa suprimida no país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares. Dados do Relatório Anual do Desmatamento (RAD2025), divulgado nesta quarta-feira pelo MapBiomas, mostram que foram perdidos 984.794 hectares em 2025, o que representa uma redução de 20,6% em comparação com o ano anterior. Mesmo com o recuo, o levantamento alerta que o equivalente a 17 parques do Ibirapuera continuou sendo destruído por dia.

Todos os biomas registraram queda nos números, mas o Pantanal foi o que apresentou o resultado mais expressivo proporcionalmente: menos 48,4% de área desmatada, totalizando 12.260 hectares perdidos. Apesar da redução geral, o Cerrado segue como o principal alvo da devastação, respondendo por mais da metade do desmatamento nacional. Foram 540.614 hectares suprimidos — uma queda de 16,9% em relação a 2024, mas ainda assim correspondente a 54,9% do total do país.

Na Amazônia, a redução foi de 23,5%, chegando a 289.478 hectares perdidos. Ainda assim, o ritmo continua intenso: segundo o estudo, isso equivale a perder cerca de cinco árvores por segundo. Juntos, Amazônia e Cerrado correspondem a mais de 84% de toda a área desmatada no território brasileiro.

Expansão agropecuária responde por quase todo o desmatamento

O levantamento confirma que a expansão da agropecuária segue como principal vetor de destruição. Em 2025, cerca de 99% da vegetação nativa suprimida esteve ligada a essa atividade. Nos últimos sete anos, o índice não ficou abaixo de 97%.

Outros vetores também foram mapeados. O garimpo concentrou-se quase que exclusivamente na Amazônia, onde 99% da área desmatada por essa causa foi registrada, com incidência maior no Pará. Já os empreendimentos de energia renovável afetaram principalmente a Caatinga, responsável por 97% dos registros nesse tipo. A expansão urbana, por sua vez, cresceu 7% em relação a 2024, com impacto maior no Cerrado e na Amazônia.

As formações savânicas continuam sendo o tipo de vegetação mais afetado — pelo terceiro ano seguido — correspondendo a 51,4% do total perdido, enquanto as formações florestais representaram 46,3%. Na Amazônia e na Mata Atlântica, predominou a supressão de florestas; nos demais biomas, a devastação atingiu principalmente as áreas de savana.

Região Matopiba concentra maior parte dos registros

A região que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia e Mato Grosso, conhecida como Matopiba, concentra mais de 63% do desmatamento do país. Os cinco estados aparecem no topo do ranking nacional.

No acumulado de 2019 a 2025, o Pará é o estado que mais perdeu área nativa, com mais de 2 milhões de hectares, embora em 2025 tenha registrado uma queda de 40% em relação ao ano anterior. Maranhão, Pará e Tocantins reduziram a área desmatada em mais de 50 mil hectares cada. Estados como Sergipe e Alagoas tiveram recuo superior a 60%.

Pela primeira vez na série histórica, o município de Canto do Buriti (PI), na Caatinga, liderou o ranking nacional, com 20.877 hectares desmatados — o equivalente a 80 campos de futebol por dia. O município registrou também o maior evento isolado de desmatamento do ano, com 20.834 hectares suprimidos. Dos dez municípios com maiores registros, oito ficam na região do Matopiba, que responde por 40% de todo o desmatamento do país e por 70% do verificado no Cerrado.

Unidades de conservação e terras indígenas ainda sofrem perdas

Áreas protegidas continuam sendo alvo, embora com redução nos números. Em Unidades de Conservação, foram desmatados 46.257 hectares, queda de 21,4%. Nas unidades de proteção integral — categoria mais restritiva — a redução foi de 55,8%, com 2.034 hectares perdidos. A Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Preto, na Bahia, foi a unidade com maior devastação: 7.701 hectares, alta de 44% em relação ao ano anterior.

Em Terras Indígenas, a perda foi de 12.593 hectares, recuo de 22%. Mesmo assim, 30% das terras indígenas registraram ao menos um evento de desmatamento. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, permaneceu no topo do ranking pela terceira vez, com 4.089 hectares perdidos, embora tenha registrado queda de 34% em comparação a 2024.

De acordo com o MapBiomas, apesar da redução em âmbito nacional, a média de 2.698 hectares por dia ainda representa um ritmo elevado, e o Brasil já perdeu, desde 2019, uma área superior ao estado de Pernambuco. O alerta é que, sem medidas mais rigorosas e contínuas, a tendência de queda pode ser revertida.

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