Pela primeira vez realizada dentro de uma terra indígena, uma formação voltada ao atendimento de povos originários começou nesta terça-feira (15) na Aldeia Puyanawa, em Mâncio Lima, no interior do Acre. A iniciativa, promovida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça, segue até o dia 24 de setembro e reúne profissionais do Acre e de outros oito estados da Amazônia Legal.
Trata-se da quarta edição do Curso de Atendimento aos Povos Indígenas — e a primeira a acontecer diretamente no território das comunidades atendidas. Ao todo, 43 agentes participam de 80 horas de atividades, divididas entre aulas teóricas e uma etapa prática desenvolvida na própria aldeia.
Formação para aproximar e proteger
Segundo Michelle dos Ramos, diretora de Ensino e Pesquisa da Senasp, o objetivo é qualificar a atuação das forças de segurança com base nas especificidades culturais e legais dos povos indígenas. “A proposta é ampliar o conhecimento para consolidar uma agenda de proteção efetiva dessas populações e de seus territórios”, explicou.
O curso aborda legislação pertinente, diversidade cultural e boas práticas de aproximação. O major Pinto, da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre e coordenador da atividade, reforçou que os conteúdos visam tornar a presença do Estado mais adequada e respeitosa nas áreas indígenas.
O coronel Assis dos Santos, coordenador do Gefron no Acre, destacou o marco inédito da iniciativa: “É a quarta edição, mas a primeira realizada na Amazônia e aqui dentro de uma aldeia. O tema — defesa e proteção dos povos indígenas — é central e ganha outro sentido quando acontece no próprio território”, avaliou.
Confiança para acionar a polícia
Para a coronel Marta Renata, comandante-geral da Polícia Militar do Acre, compreender a realidade local é essencial para prestar um serviço de qualidade. “Precisamos entender a dinâmica social e o contexto em que vivem essas comunidades para oferecer o melhor atendimento”, afirmou. Ela lembrou ainda que populações indígenas não estão livres da violência: “Também sofrem com tráfico e crime organizado. Quanto mais próximos, mais confiança terão para nos acionar quando necessário”.
A turma é formada por 27 profissionais do Acre e 16 de outros estados. O coronel Nilson Ferreira, da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, avaliou a experiência como enriquecedora: “O conhecimento traz detalhes que fazem diferença na hora de prestar um atendimento verdadeiramente especializado”, concluiu.










