O filme “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, exibido na Sessão da Tarde, continua a provocar discussões entre os fãs e curiosos sobre a veracidade das caveiras de cristal apresentadas. Lançado em 2008, este quarto capítulo da famosa franquia, que tem Harrison Ford como protagonista, é considerado o mais polêmico da série. Uma dúvida persiste: as caveiras de cristal realmente existem e qual a relação delas com a realidade?
Caveiras de cristal: realidade ou mito?
As caveiras de cristal são artefatos que, de fato, existem, mas não da maneira como é mostrado no filme. Exemplares podem ser encontrados em diversas instituições, como o Museu Britânico, o Smithsonian e o Musée de l’Homme, em Paris. Essas peças foram associadas a histórias de poderes místicos, conhecimento ancestral e profecias relacionadas ao fim do mundo.
Entretanto, é importante notar que nenhuma dessas caveiras foi descoberta em escavações arqueológicas formais na Mesoamérica. Elas aparecem na história apenas a partir do século 19, geralmente ligadas a colecionadores da Europa.
Fama das caveiras e sua origem
A popularidade das caveiras de cristal deve-se, em grande parte, a F. A. Mitchell-Hedges, um explorador britânico que alegou que sua filha encontrou uma caveira em uma cidade maia em Belize durante os anos 1920. Ele afirmou que o objeto tinha mais de 3.600 anos e possuía poderes mortais.
Contudo, décadas depois, foi revelado que Mitchell-Hedges havia comprado a caveira de um antiquário londrino em 1943. Apesar dessa revelação, a narrativa envolvente sobre o artefato ajudou a alimentar livros, programas de TV e teorias pseudocientíficas, inspirando diretamente o enredo de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”.
Artefatos maias ou engano?
Pesquisas científicas esclareceram essa questão. Análises químicas indicaram que o quartzo utilizado nas caveiras é originário do Brasil, e não da América Central. Além disso, estudos realizados com microscópios mostraram marcas de ferramentas modernas, incompatíveis com as técnicas utilizadas antes da chegada dos europeus às Américas.

Imagem: Imagem ilustrativa
Os especialistas afirmam que seria necessário um trabalho contínuo de mais de 150 anos com ferramentas primitivas para alcançar o nível de acabamento observado nas caveiras, algo considerado extremamente improvável. A conclusão predominante é que essas peças foram fabricadas no século 19, provavelmente na Alemanha, por artesãos especializados.
Por que exageros no filme?
A franquia “Indiana Jones” sempre teve um toque de fantasia. Enquanto os filmes anteriores abordaram temas como a Arca da Aliança e o Santo Graal, “A Caveira de Cristal” elevou essa abordagem ao misturar elementos como alienígenas, ficção científica e teorias conspiratórias. Essa mistura pode ter contribuído para a rejeição que parte do público sentiu em relação ao filme.
Ainda assim, o longa-metragem acerta ao mostrar que as caveiras de cristal são objetos reais cercados por mitos, embora não pelos motivos apresentados na tela.
Com informações de Mixdeseries









