O relato recente de Cleo Pires sobre situações de assédio vividas durante o período em que estrelava a novela América voltou a trazer à tona um tema que permanece presente na realidade de muitas brasileiras.
Ao recordar aquela fase da carreira, a atriz afirmou que enfrentava com frequência abordagens invasivas de homens nas ruas, classificando os responsáveis como “idiotas”.
Embora os episódios tenham ocorrido há anos, especialistas avaliam que a discussão segue atual, especialmente diante dos avanços legais voltados à proteção das mulheres e da necessidade de ampliar a conscientização sobre respeito, consentimento e limites.
Avanços no combate ao assédio
Para a advogada Dra. Silvana Campos, a legislação brasileira avançou significativamente no enfrentamento de práticas que, durante muito tempo, foram tratadas como algo comum.
“Hoje existem mecanismos legais mais claros para proteger mulheres que sofrem assédio, importunação sexual e perseguição. O que durante muito tempo foi tratado como algo normal ou inevitável passou a ser reconhecido como uma violação de direitos e, em muitos casos, como crime”, explica.
Segundo a especialista, a criação do crime de importunação sexual representou um marco importante nesse processo.
“A legislação prevê punição para atos praticados sem consentimento com o objetivo de satisfazer desejo próprio ou de terceiros. Além disso, dependendo da situação, outras condutas podem ser enquadradas em crimes relacionados à perseguição, ao constrangimento ou à violência contra a mulher”, afirma.
Silvana ressalta ainda que as vítimas não devem hesitar em buscar ajuda.
“É importante registrar ocorrências e guardar mensagens, imagens, vídeos ou qualquer outro elemento que possa servir como prova. Muitas mulheres deixam de denunciar por acreditarem que não possuem elementos suficientes, mas a orientação jurídica pode ajudar a identificar os caminhos adequados em cada caso.”











