Em sua última entrevista gravada para o projeto ‘Envelhecer é uma arte’, do Extra, o ator Rui Rezende relembrou o sucesso de seu personagem mais icônico: o Lobisomem de ‘Roque Santeiro’ (1985). Na conversa, realizada no Retiro dos Artistas, onde o veterano de 88 anos morava desde 2019, ele também abriu o coração e confessou sua natureza solitária.
Ao ser questionado sobre os bastidores da profissão e as amizades no meio artístico, Rui foi direto: “Não fiz amigos. Fiz colegas. Deixei de participar de muita coisa, de conquistar muita gente”, disparou o ator. Ele explicou que sua postura discreta e recuada tinha total relação com suas origens. “Eu sou da roça. Nasci no campo. Tenho esse lado de bicho do mato. Nunca fui de turma”, justificou, lembrando que andava de ônibus tranquilamente mesmo quando a novela registrava índices altíssimos de audiência.
Apesar de se definir como alguém reservado, o artista garantiu que não guardava arrependimentos, apenas constatações sobre a própria personalidade. Ele revelou que o isolamento no Retiro dos Artistas também era uma escolha confortável, motivada em parte por questões de saúde, como um tremor nas mãos que o fazia preferir comer sozinho em seu quarto. “Aqui no Retiro eu participo pouco das coisas, mas eu gosto de ter essas pessoas em volta”, ponderou.
O veterano abriu o coração ao falar sobre suas inseguranças do passado, admitindo que sempre lidou mal com a própria imagem e que sofreu muito por amor na juventude por se considerar um “patinho feio”. No entanto, garantiu ter alcançado a paz na velhice. “Infeliz eu não sou. Acho que a idade me trouxe resolução para muitas coisas. Tenho uma certa tranquilidade. E ainda sonho para não morrer em vida”, concluiu.












