A Copa do Mundo de 2026 tem produzido resultados inesperados no desempenho das seleções. Enquanto equipes tradicionais, como Alemanha e Uruguai, caíram precocemente, outras surpreenderam, caso de Cabo Verde e África do Sul.
Esta última conseguiu a classificação para o mata-mata pela primeira vez na história após vencer a Coreia do Sul. A equipe asiática não foi além da fase de grupos e encerrou sua participação no Mundial na 34ª colocação, resultado que provocou revolta entre os torcedores.
Nesta quinta-feira (2), um grupo da sociedade civil que apresentou uma denúncia criminal contra o presidente da KFA (Associação de Futebol da Coreia), Chung Mong-gyu, anunciou que incluiu também o técnico que comandou a seleção em 2026, Hong Myung-bo. A organização alega interferência indevida na nomeação do treinador da equipe nacional.
A seleção chegou à Coreia durante a madrugada, o que não impediu que torcedores a esperassem no aeroporto de Incheon com fortes protestos, vaias e xingamentos. Entre os cartazes, alguns diziam que o futebol coreano “está morto”, enquanto outros pediam que o treinador devolvesse o salário. Hong precisou de um esquema especial de segurança para retornar ao país, já que vinha recebendo ameaças de morte.
Apesar do quarto lugar em 2002, quando sediou a Copa, a Coreia do Sul foi eliminada ainda na fase de grupos em nove das 12 edições do torneio que disputou. Desta vez, porém, a queda repercutiu de forma particularmente negativa entre os sul-coreanos.

Antes mesmo de deixar o México, Hong pediu demissão na segunda-feira (29), um dia após a eliminação da Coreia ser confirmada. Na mesma data, o presidente da KFA anunciou que deixará o cargo em 20 de julho, embora seu mandato fosse até 2029.
A decisão dos dois veio um dia depois de o presidente da Coreia do Sul se manifestar sobre o caso. Nas redes sociais, Lee Jae-myung disse estar “perplexo” com o resultado e informou ter pedido ao ministério responsável que investigasse as causas da queda da seleção.
“Essa falha em se classificar para a fase final da Copa do Mundo, que deixou o público com uma sensação de vazio, parece decorrer de problemas de organização e de pessoal”, escreveu Lee, já sinalizando o motivo da revolta dos torcedores coreanos. “Considerando que recursos significativos provenientes dos contribuintes e do Estado são investidos na participação na Copa do Mundo, solicito ao Ministério da Cultura, Esportes e Turismo que examine minuciosamente as circunstâncias exatas desse episódio, analise suas causas e elabore medidas abrangentes para prevenir a reincidência e promover melhorias.”
“Pessoa incompetente”
Hong Myung-bo foi um jogador celebrado e, por muito tempo, um dos maiores ídolos do futebol sul-coreano. Em 2004, foi o único atleta do país a figurar na lista elaborada por Pelé com os melhores jogadores vivos.
Apesar de ter sido o capitão da equipe de 2002, responsável pela melhor campanha da Coreia em Copas do Mundo, o desempenho de Hong como técnico é alvo de questionamentos. Ele comandou a seleção em 2014, na Copa do Brasil, quando o time não venceu nenhuma partida e também caiu na fase de grupos.
Na ocasião, ao retornar à Coreia, a delegação foi recebida por torcedores revoltados, que atiraram doces contra os jogadores — gesto considerado uma ofensa grave no país.
Mesmo com esse histórico, Hong voltou ao cargo dez anos depois, em 2024, sob fortes críticas. Sua escolha ocorreu em um processo considerado por muitos injusto e pouco transparente.
Isso porque o conselho técnico da KFA havia indicado outros dois nomes para a função: Jesse Marsch, ex-técnico do Leeds United, como primeira opção, e Jesus Casas, então treinador do Iraque, como segunda.
O estatuto da KFA determina que o técnico da seleção nacional deve ser recomendado pelo Comitê de Seleções Nacionais, órgão consultivo da entidade, e posteriormente aprovado pela diretoria.
Ainda assim, em meio a uma troca na cúpula da confederação e a um acúmulo excepcional de poder pelo diretor técnico da entidade, o escolhido foi Hong Myung-bo. Há especulações de que ele tenha sido indicado ao cargo por ter estudado na mesma universidade que o presidente da KFA, Chung Mong-gyu.












