O biólogo indonésio Kevin Kumala criou, em 2014, uma linha de embalagens sustentáveis à base de fécula de mandioca que se desfaz rapidamente no ambiente marinho e pode servir de alimento para peixes. A iniciativa surgiu após seu retorno a Bali, quando constatou a grande quantidade de plástico acumulado nas praias, prejudicando tanto o ecossistema local quanto o turismo.
Para colocar o projeto em prática, Kumala fundou a empresa Avani Eco, que produz hoje sacolas, canudos, talheres, copos e várias opções de embalagens biodegradáveis, todas fabricadas com materiais renováveis derivados da mandioca. Externamente, os produtos lembram o plástico convencional, mas incorporam formulações que aceleram a degradação em contato com a água do mar.
Segundo a empresa, o tempo de decomposição dessas embalagens é significativamente menor do que o dos plásticos comuns, o que contribui para reduzir a poluição dos oceanos. Além disso, ao se fragmentarem em substâncias comestíveis, elas passam a representar uma fonte adicional de alimento para a vida marinha, minimizando o risco de obstrução digestiva nos animais.
Aplicações da mandioca no Brasil
No Brasil, o uso da mandioca para produzir bioembalagens também ganha força. A Oka Bioembalagens, por exemplo, desenvolve soluções inspiradas na cultura indígena e utiliza insumos locais de forma eficiente, tanto em termos de recursos quanto de energia envolvida na fabricação.
Esses produtos, voltados para diversos setores, demonstram como a mandioca pode ser aproveitada além do setor alimentício tradicional, apoiando iniciativas que buscam reduzir a dependência de plástico e diminuir o impacto ambiental.
Expansão da tecnologia e impacto social
A tecnologia de embalagens à base de mandioca também tem efeito social relevante na Amazônia brasileira. A startup Dooka trabalha em parceria com comunidades locais, aplicando conhecimentos tradicionais para produzir itens biodegradáveis, gerando emprego e renda e fortalecendo a preservação da floresta.

Em Lábrea (AM), foi instalada uma biofábrica dedicada à produção em larga escala dessas embalagens, atendendo a diversos mercados e demonstrando a adaptação do modelo de Avani Eco às condições e necessidades regionais.
O desenvolvimento dessas soluções reforça o potencial da mandioca como matéria-prima estratégica para enfrentar a poluição plástica nos oceanos e promover um ciclo produtivo sustentável.
Com informações de Tnh1







