Pesquisadores questionam a ideia de que o primeiro ser humano tenha surgido exclusivamente na África após a descoberta de um fêmur antigo em território europeu. O osso, atribuído ao gênero Graecopithecus, tem idade estimada em 7,2 milhões de anos e foi encontrado no sítio arqueológico de Azmaka, próximo à cidade de Chirpan, na Bulgária.
Até então, registros fósseis de hominídeos primitivos, como os representantes do gênero Orrorin, apontavam que os primeiros humanos teriam emergido no continente africano há cerca de 6 milhões de anos, o que consolidou a África como “berço da humanidade”.
No entanto, os especialistas envolvidos na nova pesquisa destacam que tanto a morfologia interna quanto a externa do fêmur búlgaro apresentam semelhanças marcantes com fósseis reconhecidos como ancestrais do gênero humano. Entre os sinais analisados, evidencia-se a capacidade de locomoção bípede, característica fundamental para a classificação de hominídeos.
De acordo com levantamento divulgado pelo portal Correio 24 Horas, o osso pode ter pertencido a uma fêmea que provavelmente habitava as margens dos cursos de água na região, com peso corporal estimado em aproximadamente 24 quilos. Esses dados reforçam a hipótese de que o indivíduo compartilhava adaptações locomotoras semelhantes às observadas em hominídeos africanos posteriores.
Mudanças climáticas e migração
O estudo dos pesquisadores sugere que, há milhões de anos, a Eurásia exibia características de savana, embora tenha passado por períodos de intensas alterações climáticas que reduziram as áreas florestais. Essas transformações teriam dificultado a sobrevivência dos primeiros hominídeos no continente europeu.

Em função desse cenário, a equipe científica levanta a possibilidade de migração em massa em direção ao sul do continente africano, onde as condições ambientais teriam se mostrado mais favoráveis ao desenvolvimento e à diversificação dos ancestrais dos seres humanos modernos.
Apesar do entusiasmo gerado pela descoberta, os autores ressaltam a necessidade de novas escavações e exames paleontológicos para confirmar definitivamente o papel do Graecopithecus na história evolutiva humana e a real dimensão de sua presença fora da África.
Com informações de Tnh1












