O ataque coordenado dos Estados Unidos e Israel contra instalações estratégicas no Irã, na madrugada deste sábado (28), gerou uma reação global imediata e dividida, enquanto o Irã retaliou com lançamentos de mísseis e drones contra território israelense e bases norte-americanas em Catar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. A escalada militar aumenta os riscos de uma guerra de larga escala no Oriente Médio, região responsável por cerca de 30% da produção mundial de petróleo.
Contexto do conflito: tensões acumuladas
As hostilidades têm raízes em anos de desconfiança entre as partes. Israel e os EUA acusam o Irã de desenvolver um programa nuclear militar – o que o país nega, afirmando que suas atividades são exclusivamente pacíficas. Além disso, a Guarda Revolucionária Iraniana é apontada por ambos os países como financiadora e treinadora de grupos armados em países vizinhos, como o Hezbollah no Líbano e grupos militantes na Síria e no Iraque.
Nos últimos meses, houve tentativas de negociação mediadas pela União Europeia, mas as conversas foram interrompidas após ataques a navios comerciais vinculados a Israel no Golfo Pérsico, que foram atribuídos ao Irã. Os governos dos EUA e Israel justificaram o ataque deste sábado como “preventivo”, afirmando que buscavam neutralizar instalações de desenvolvimento de mísseis balísticos e núcleares.
Rússia classifica ação como “agressão” e questiona longevidade dos EUA
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, criticou veementemente a operação, definindo as negociações anteriores como uma “fachada”. “O pacificador agiu novamente. Todos sabiam disso. Os EUA têm apenas 249 anos. O Império Persa foi fundado há mais de 2,5 mil anos. Vamos ver o que acontece em uns 100 anos”, declarou.
O governo russo, que mantém laços estratégicos com o Irã, classificou o ataque como uma “agressão armada não provocada” contra um estado soberano e apresentou uma resolução no Conselho de Segurança da ONU pedindo o fim imediato das hostilidades e a retirada de tropas estrangeiras da região.
Europa busca equilíbrio entre segurança e diplomacia
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que os acontecimentos são de “grande preocupação” e enfatizou a necessidade de proteger o regime de não proliferação nuclear. Em nome da UE, a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros afirmou: “A segurança duradoura é construída através da diplomacia, não da ação militar, mas também temos o dever de garantir a segurança de Israel e de todos os países da região.”
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou medidas para proteger cidadãos e interesses franceses no Oriente Médio e solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança. Já o presidente espanhol, Pedro Sanchez, condenou a ação militar unilateral: “Rejeitamos igualmente as ações do regime iraniano e da Guarda Revolucionária. Não podemos nos permitir outra guerra devastadora na região. Exigimos desescalada imediata e respeito ao direito internacional.”
Japão alerta para impacto energético e intensifica segurança
A primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, informou que intensificou medidas para garantir a segurança de nacionais japoneses nas áreas afetadas. “Já tínhamos feito evacuações antecipadas, mas agora instruí os ministérios a intensificar a coleta de informações e a proteger quem permanece no local”, disse.
O país é um dos maiores importadores mundiais de petróleo, com mais de 90% de suas necessidades vindas do Oriente Médio. O governo japonês já iniciou conversas com países produtores para garantir o fluxo de suprimentos e evitar impactos na economia doméstica.
Líbano evita envolvimento e avança no desarmamento
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, fez um apelo aos cidadãos para manterem a calma: “Não aceitaremos que alguém arraste o Líbano para aventuras que ameacem sua segurança e unidade.” O país vem implementando um acordo de desarmamento do Hezbollah, assinado no ano passado com o apoio da ONU, e busca consolidar sua estabilidade após décadas de conflitos.
Austrália apoia ações contra programa nuclear, mas defende diálogo
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, declarou que seu país está do lado do “povo corajoso do Irã em sua luta contra a opressão” e classificou o regime como uma “força desestabilizadora”. “Austrália apoia os Estados Unidos em ações para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear”, disse, mas ressaltou que “a solução definitiva para a crise passa por negociações diretas entre todas as partes envolvidas”.
ONU e China pedem fim às hostilidades
O secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, pediu o fim imediato das hostilidades e alertou para o risco de o conflito se espalhar: “O Oriente Médio não pode suportar outra guerra. Todas as partes devem retornar à mesa de negociações e buscar uma solução pacífica baseada no direito internacional.”
A China, por sua vez, pediu respeito à soberania e integridade territorial do Irã e solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança para discutir medidas que evitem a escalada do conflito.








