Colômbia elege de la Espriella em disputa apertada e caminha para governo de ultradireita após gestão de esquerda

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Colômbia elege de la Espriella em disputa apertada e caminha para governo de ultradireita após gestão de esquerda

Neste domingo (21), a Colômbia definiu, em uma das eleições mais acirradas de sua história, a vitória preliminar do advogado Abelardo de la Espriella para a Presidência da República. Com quase a totalidade das urnas apuradas, ele obteve 49,65% dos votos, contra 48,71% do senador Iván Cepeda — uma diferença inferior a 300 mil eleitores. O resultado marca uma virada ideológica no país, após quatro anos da primeira gestão de esquerda comandada por Gustavo Petro.

Tendência continental e estratégia de campanha

A eleição segue uma trajetória observada em outras nações da América Latina, onde grupos de ultradireita ganharam espaço nos últimos anos. De la Espriella, de 47 anos, usou uma fórmula que fez sucesso na região: se apresentou como alguém fora da política tradicional, adotou discursos nacionalistas e focou a campanha na segurança pública, tema que voltou a preocupar os colombianos após uma década dos Acordos de Paz com as Farc.

Sua retórica foi direta e agressiva, classificando adversários como ligados ao crime e ao terrorismo, e minimizou questionamentos sobre sua trajetória profissional — ele já defendeu paramilitares, líderes de esquemas financeiros e empresários ligados a governos criticados internacionalmente. Ao contrário de muitos candidatos, ele não escondeu sua condição financeira, apresentando seu sucesso empresarial como qualificação para gerir o Estado.

Reação e contestação

Mesmo com a tendência consolidada, o presidente Gustavo Petro questionou o andamento da apuração, alegando possíveis irregularidades — da mesma forma que já havia feito na etapa anterior. O resultado atual é apenas preliminar, servindo como indicativo; a contagem oficial, feita por juízes eleitorais e com análise detalhada das atas, deve ser divulgada em poucos dias e costuma confirmar os números iniciais.

Divisão na sociedade

A eleição refletiu a profunda divisão do país. Para eleitores como a médica Paula Mora, a vitória representa um risco aos avanços sociais e ao processo de paz, gerando receio de que medidas duras contra a oposição e a desmontagem de instituições criadas em 2016 possam reacender tensões antigas. Já apoiadores como o estudante Samuel Esteban veem na nova gestão a chance de restabelecer a ordem, conter grupos armados e estimular a economia e os negócios.

A participação histórica de mais de 26 milhões de eleitores mostra o quanto a disputa mobilizou a população. Mesmo com a vantagem de de la Espriella, a pequena margem mantém a esperança no grupo de Cepeda, que teve votação superior à de Petro no segundo turno de 2022, mas não suficiente para garantir a vitória.

Diante do cenário, autoridades e a população permanecem atentas: comércio e instituições já adotaram medidas de proteção, na expectativa de manifestações durante a noite e nos próximos dias.

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