“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República (…). Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei”, disse presidente do Paraguai, Santiago Peña, em vídeo publicado em sua conta no X. Peña renunciou nesta quinta-feira (5) em meio à crise bancária que congelou os depósitos de quase três milhões de pessoas, e que o deixava sob a ameaça de um processo de impeachment iminente no Congresso.
O presidente ressaltou que sua prioridade é “a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro”. Com a renúncia de Peña, a presidência fica a cargo do atual vice-presidente, Pedro Alliana.
Peña, que assumiu em 2023 para um mandato até 2028, perdeu o apoio do Partido Colorado, cuja cúpula havia anunciado, nesta quinta-feira, que apoiaria o pedido de destituição no Congresso.
A crise eclodiu na terça-feira, quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, um dos principais bancos do país, devido à insuficiência de capital. Quase três milhões de pessoas ficaram sem acesso aos seus depósitos.
Peña detinha ações de um grupo que controlava a instituição, das quais se desvinculou em 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses e de favorecer o banco.
O presidente obteve a renúncia do titular do Banco Central e promulgou uma lei que estabelecia um prazo de cinco dias úteis para a devolução da maior parte dos recursos; contudo, as medidas não contiveram as reclamações.
Centenas de manifestantes protestaram na quarta-feira em Assunção, pela segunda noite consecutiva, e entraram em confronto com a polícia, que utilizou gás lacrimogêneo e caminhões com jatos d’água para dispersá-los.










