MUNDO
Trump anuncia expansão da guerra às drogas para operações em terra, gerando tensões com o México

WASHINGTON (EUA), 09 de janeiro de 2026 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (8) em entrevista à Fox News que seu governo passará a realizar ações contra cartéis de drogas em território terrestre, ampliando a ofensiva que até agora se concentrou em operações marítimas no Caribe e no Pacífico. A medida surge após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, acusado por Washington de tráfico de drogas, e gera novas tensões diplomáticas com o México.
“Já cortamos 97% das drogas que entram nos EUA por via marítima. Agora vamos começar a atacá-las em terra, visando diretamente os cartéis”, disse Trump durante a entrevista. Ele também afirmou que “os cartéis estão controlando o México”, sem oferecer detalhes sobre o cronograma ou as modalidades das ações terrestres.
Desde setembro de 2025, as forças armadas americanas têm realizado ataques aéreos contra embarcações suspeitas de tráfico, com pelo menos 15 unidades atingidas e 61 mortos até o final de outubro. A recente operação que resultou na prisão de Maduro intensificou ainda mais a postura do governo americano na região, embora especialistas questionem a legalidade dessas ações sob o direito internacional.
No início desta semana, Trump revelou ter questionado a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, sobre a possibilidade de receber assistência militar dos EUA para combater os cartéis, alertando que “o México precisa se organizar”. Sheinbaum, porém, se opôs categoricamente à proposta.
“Rejeitamos absolutamente a intervenção nos assuntos internos de outros países”, disse a mandatária em coletiva de imprensa na segunda-feira (5). Em novembro de 2025, ela já havia afirmado que o México trabalha em uma estratégia de segurança conjunto com os EUA, mas sob o princípio de “respeito à soberania, territorialidade e colaboração sem subordinação”.
Especialistas em direito internacional alertam que qualquer ação militar em solo estrangeiro sem autorização prévia viola os princípios de soberania nacional e pode gerar repercussões negativas nas relações entre os países. Além disso, há debates nos EUA sobre a necessidade de autorização do Congresso para tais operações, uma questão que envolve os limites dos poderes constitucionais do executivo.
Até o momento, o governo americano não apresentou um plano detalhado das ações terrestres, nem especificou quais cartéis ou países serão alvo. A reação de outras nações da região e de organismos internacionais ainda está em formação, enquanto o debate sobre estratégias eficazes e legais de combate ao narcotráfico permanece em pauta.








