POLÍCIA
Desvio de medicamentos no Acre: Polícia investiga ligação com produção de drogas ilícitas

RIO BRANCO (AC) – Novos rumos são dados às investigações sobre o desvio de medicamentos da rede pública estadual do Acre. A Polícia Civil (PCAC) está verificando se fármacos de alto risco, entre eles o fentanil, estavam sendo utilizados para abastecer quadrilhas ou compor drogas ilícitas no estado. A divulgação foi feita pelo delegado-geral Henrique Maciel nesta quarta-feira (7), após operações que resultaram em apreensões expressivas de produtos de saúde em Rio Branco.
O volume de material recolhido é significativo e abrange desde insumos básicos, como fraldas geriátricas, até remédios controlados de alto valor no mercado. “Estamos em fase de detalhamento completo de cada item. Tudo está sendo catalogado, com identificação de lotes e tipos, para que possamos rastrear a origem de todo o material apreendido”, explicou o delegado.
Uma vez finalizado o levantamento dos itens, especialistas realizarão uma perícia mercadológica para estabelecer o valor financeiro total dos medicamentos. Paralelamente, as investigações buscam confirmar se parte desses produtos estava sendo desviada para fins além da comercialização irregular. “Há informações há bastante tempo sobre o uso indevido de medicamentos como substâncias psicotrópicas. A DENARC já atua nessa linha, que vai além das drogas convencionais como maconha e cocaína”, destacou Maciel.
O delegado-geral comentou que, embora haja registros antigos de uso indevido de fármacos controlados e substâncias relacionadas a metanfetaminas, agora o objetivo é entender a dimensão do esquema. “Até então, tratávamos de casos isolados. Agora queremos saber se se transformou em uma estrutura organizada e qual a escala que alcançou”, afirmou.
Sobre a hipótese de esses medicamentos serem misturados a outras drogas, como a cocaína, para produção local, Henrique Maciel destacou que ainda há pontos a serem esclarecidos. “Precisamos apurar se a mistura era feita por traficantes como produto acabado, ou se ocorria apenas no momento do consumo. Além disso, vamos verificar se os remédios iam para farmácias clandestinas, para pacientes que precisavam ou se eram comercializados como drogas”, completou o delegado.
Os resultados das análises devem ajudar a traçar estratégias para combater o desvio de medicamentos e evitar que fármacos controlados cheguem ao mercado ilícito.








