Os números da disputa presidencial revelam um fenômeno eleitoral sem precedentes. Segundo o analista Bruno Soller, sócio do Real Time Big Data, dos cerca de 14 milhões de novos votos que apareceram entre o primeiro e o segundo turno, quase 10 milhões — ou seja 71% — foram para Lula. Foi esse fluxo que garantiu a virada e a reeleição do presidente, que passou de 45,16% para 51,79% dos votos válidos.
Uma virada que surpreendeu todos
“Ninguém previu. Dos 24 modelos que usamos, todos apontavam vitória de Flávio Bolsonaro”, admitiu Soller. O movimento foi tão expressivo que o especialista classificou como algo “fora da curva” e sem paralelo na história eleitoral mundial.
Lula virou em 213 municípios do adversário
O petista conseguiu reverter a vantagem em 213 cidades que haviam dado vitória a Flávio no primeiro turno, em 18 estados diferentes — entre elas, duas capitais: Rio de Janeiro e Macapá. Os estados com mais municípios que mudaram de lado foram:
-Minas Gerais: 76 municípios virados
-São Paulo: 33
-Paraná: 20
-Rio Grande do Sul: 19
-Goiás: 14
-Tocantins: 12
O que explica a mudança
Soller destaca dois fatores principais: a rejeição ao bolsonarismo e o impacto dos programas sociais. “Não é possível que 10 milhões de votos apareçam do nada sem que o eleitorado tenha sentido que vale a pena. O pacote de benefícios aprovado pode ter sido o diferencial que as pesquisas não conseguiram captar”, avaliou.
O resultado final consolidou a vitória de Lula com 64,2 milhões de votos — a maior votação da história do Brasil — contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro.











