China e Rússia desenham nova ordem global, mas tensão econômica persiste

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China e Rússia desenham nova ordem global, mas tensão econômica persiste

O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, participaram da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCS), em Bishkek, onde selaram o aprofundamento da parceria estratégica e a visão comum de uma nova governança global multipolar. Apesar do discurso de alinhamento, divergências econômicas — especialmente sobre o preço do gás — revelam a assimetria crescente entre os dois países.

Xi Jinping declarou que a China pretende aprofundar laços com a Rússia para apoiar a reforma da governança global e construir um “mundo multipolar igualitário e ordenado”, em resposta ao que classifica como crescentes incertezas internacionais. Putin, por sua vez, classificou a parceria sino-russa como “modelo de relações entre Estados” e destacou cinco áreas prioritárias de cooperação: comércio, energia, indústria, transportes e tecnologia, além de maior coordenação em fóruns como ONU, Brics, G20 e a própria OCS.

Por trás do discurso de união, a negociação do gasoduto Energia da Sibéria 2 expõe a desigualdade econômica. A China aprova o projeto, mas exige o preço subsidiado de US$ 50 por mil metros cúbicos — valor que a Rússia cobra de seus consumidores domésticos —, muito abaixo dos US$ 259 que a China paga no gasoduto atual e dos US$ 420 cobrados de outros clientes. Putin pressiona por preços de mercado, mas Xi resiste, evidenciando a dependência russa em relação ao mercado chinês após o isolamento econômico provocado pela guerra na Ucrânia.

A reunião na Ásia Central tem forte simbolismo: a região, historicamente sob influência russa, passa cada vez mais para a órbita chinesa. O destaque é a ferrovia China–Quirguízia–Uzbequistão (CKU), que cria uma rota comercial terrestre chinesa para o Ocidente sem depender de território russo — considerada pelo presidente quirguiz Sadyr Japarov a “Rota da Seda de aço”. O comércio agrícola bilateral cresceu 34%, e o primeiro serviço regular de navios porta-contêineres chineses pela Rota Marítima do Norte, no Ártico, já foi iniciado.

O encontro confirma uma reversão histórica: a China assumiu a liderança da parceria, e a Rússia, afastada do Ocidente, tornou-se fornecedora de bens primários e mercado para produtos chineses. A cooperação militar e diplomática segue forte, mas a balança de poder econômico define os limites e as condições da nova ordem que os dois países pretendem construir.

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