O presidente Lula (PT) reagiu, neste domingo (22/2), às mudanças nas tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos estrangeiros. “Estou aliviado de não ter tido pressa, sabe, de não fazer as coisas de forma precipitada”, comentou o petista, ao falar com jornalistas ao fim de sua extensa agenda na Índia.
“Tomamos as decisões com muita cautela. Todos vocês sabem que tenho na minha cabeça a ideia de não tomar nenhuma decisão quando estou com 39 graus de febre. Tem que esperar a febre passar para a gente tomar a decisão. E eu acho que tomamos as decisões corretas”, declarou.
A Suprema Corte dos Estados Unidos determinou, na sexta-feira (20/2), a derrubada das tarifas impostas pelo líder norte-americano. Em seguida, o presidente Donald Trump assinou um decreto com novas, porém menores, tarifas sobre produtos estrangeiros. As taxas passam agora à alíquota de 15%.
Sobre a decisão, o presidente preferiu não se manifestar. “Agora tivemos a decisão da Justiça americana, que tomou outra decisão, contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump. Obviamente que eu não posso julgar a decisão da Suprema Corte de um país. Não julgo do meu, muito menos de outro país.”
Em meio ao cenário de instabilidade, o chefe do Palácio do Planalto analisa que a redução das tarifas para 15% já é positiva para os países afetados.
“Alguém recorreu, a Corte tomou a decisão. Certamente, ele já tomou novas medidas. Alguém vai recorrer, vai ter outra decisão. Da nossa parte, o que achamos é que houve um alívio para muitos países que estavam taxados em 50% e 40%. Houve um alívio. Agora, para todo mundo, vai ser 15%”, afirmou.
Agenda com Trump
Na conversa com Donald Trump, prevista para ocorrer na segunda metade de março, Lula aposta que conseguirá retomar a normalidade da relação entre os dois países. “Estou convencido que, na conversa, a relação Brasil-Estados Unidos vai voltar à normalidade. Eles têm interesse, nós temos interesse. Se taxar alguns produtos nossos, vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano.”
O presidente classificou ainda a forma como o presidente Trump tomou a decisão de impor tarifas comerciais sobre produtos estrangeiros como “anômala”.
“Fomos surpreendidos com o impacto das taxações dos Estados Unidos, porque ela foi feita de forma totalmente anômala, porque era uma coisa impensável você receber no Twitter a determinação de um país de taxar o outro. Antigamente, era feita uma reunião entre os ministros da Fazenda, entre os ministros da Indústria e Comércio. Mas ele faz pelo o Twitter.”
Na mesma coletiva, o presidente Lula disse que pretende discutir, em conversa com o presidente Donald Trump, o papel dos Estados Unidos no mundo e afirmou que é preciso dar um basta nas ameaças que ele tem feito a outros países.
“Quero discutir com eles qual é o papel dos Estados Unidos na América do Sul. Qual é o papel deles? É de ajudar ou de ficar ameaçando? Agora está ameaçando o Irã, ou seja, é preciso colocar um paradeiro nisso”, finalizou o presidente.







