A capacidade de aprovar pautas no Legislativo será o principal obstáculo do novo mandato de Lula, na avaliação de William Foster, vice-presidente sênior da agência de classificação de risco Moody’s Ratings. Em entrevista à CNN Money, o executivo destacou que o Congresso se deslocou para a direita e que negociar maiorias exigirá habilidade política ainda maior do que no mandato anterior.
O cenário fiscal
A Moody’s mantém a nota de crédito soberano do Brasil em Ba1, abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável. A dívida pública subiu de 72% para 83% do PIB e, sem reformas, pode chegar a 87% do PIB no próximo ano, em trajetória contínua de alta.
“O maior desafio não é elaborar boas políticas, mas conseguir aprovar a legislação no Congresso para dar sustentação a essas políticas.”
Juros elevados pesam nas contas
Os gastos com juros equivalem a cerca de 20% da receita pública e superam 8% do PIB. Mais de 40% da dívida está indexada à Selic, o que deixa o país vulnerável a períodos de taxas altas prolongadas. O executivo alertou que a política fiscal expansionista pode dificultar a redução dos juros pelo Banco Central — um risco conhecido como dominância fiscal.
O caminho apontado pela agência
-Rever o crescimento das despesas obrigatórias, corrigidas pelo salário mínimo e inflação
-Criar metas de longo prazo para a dívida em relação ao PIB
-Aperfeiçoar o arcabouço fiscal para incluir o custo dos juros, não apenas o resultado primário
-Construir consenso amplo no Congresso, especialmente com partidos de centro
Segundo Foster, a recuperação da credibilidade fiscal permitiria ao Banco Central reduzir os juros com mais confiança, baratear o crédito e abrir espaço para investimentos privados. Sem ajuste, a dívida continua crescendo, os juros permanecem altos e a nota de crédito dificilmente avançará rumo ao grau de investimento.










