RIO BRANCO
Poeta slammer Medusa AK leva realidade das periferias a ato da Ufac sobre 8 de janeiro

RIO BRANCO (AC) – O auditório lotado da Universidade Federal do Acre (Ufac) recebeu nesta quinta-feira (8) uma intervenção cultural que uniu arte, política e denúncia social, durante o ato em memória dos três anos da tentativa de golpe contra a democracia brasileira. A poeta slammer Cristina Santos, conhecida como Medusa AK, apresentou um poema autoral que trouxe à tona as desigualdades urbanas de Rio Branco e a realidade dos moradores das periferias.
Estudante da Ufac, secretária do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e da Juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT) no estado, a artista se apresentou em um ambiente decorado com faixas de entidades como ANDES, UNE e UJC, que reuniram estudantes, professores, sindicalistas e militantes de diversos movimentos.
Em seus versos, Medusa AK descreveu o trajeto entre áreas nobres e periféricas da capital acreana com intensa carga emocional. “Pra chegar lá na minha casa, passo por ruas de condomínio, lisinhas e cheias de asfalto… até que piso num buraco e percebo: já cheguei na minha favela”, destacou em um dos trechos do poema.
A slammer mencionou comunidades como Baixada da Sobral e Santa Cruz, abordando as dificuldades de mobilidade enfrentadas pelos moradores. “A gente sai cortando becos, mas a lama de uma das ruas força a procurar outras vielas”, disse. Ela também fez um contraponto direto entre os serviços públicos oferecidos em diferentes regiões da cidade: “Aqui é rua da quebrada. Se dou alguns passos, chego na rua do condomínio. E adivinha qual das duas tem iluminação e asfalto?”, questionou a plateia.
Além das desigualdades sociais, a apresentação abordou as consequências dos atos golpistas para a população acreana, citando os bloqueios da BR-364 realizados por apoiadores do movimento antidemocrático. “Na época da Copa, quando o Brasil jogava, quase ficamos sem gelada – e sem contar as filas gigantes nos postos, sem gasolina”, lembrou.
A situação econômica e seus reflexos no dia a dia dos trabalhadores também foram temas centrais. “Um país se estrepando, o Uber passando mal. Fica entre a agiota de hoje e a gasolina de amanhã – tá cara demais, e o tanque não dura”, recitou.
Medusa AK finalizou sua intervenção com menção ao posicionamento de autoridades locais e à luta histórica do estado. “Pra completar o fardo que o acreano carrega, o prefeito da capital soltou apoio pela ditadura”, afirmou, reforçando a importância de resgatar a memória e defender a democracia.
Vídeo: ac24horas








