O parecer médico que acompanhou a transferência de Francisco Valadares Neto para a capital acreana traz novos detalhes sobre como ele foi encontrado em sua residência, em Brasiléia. O procurador municipal é investigado como principal suspeito de ter ordenado o assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira.
Ao ser socorrido, foram identificadas junto ao paciente embalagens de três medicamentos distintos: ciclobenzaprina, usada no tratamento de contraturas musculares; dipirona, amplamente utilizada como analgésico e antitérmico; e tadalafila, medicamento que atua na circulação sanguínea. Os registros de enfermagem também descrevem uma substância de cor clara em grande quantidade nas narinas, que os profissionais avaliaram como compatível com alguma substância de efeito psicoativo.
Quando chegou à unidade de saúde do município, Valadares apresentava níveis de oxigênio no sangue muito abaixo do esperado, além de sangramento intenso pelo nariz e respiração comprometida. Como seu estado de consciência estava reduzido e ele não conseguia respirar adequadamente, a equipe médica precisou realizar intubação orotraqueal imediata. O procedimento foi mais difícil que o habitual devido a um inchaço na região da glote, o que dificultou a visualização das vias respiratórias.
Já no Pronto-Socorro de Rio Branco, ele foi levado diretamente à área de cuidados intensivos, onde permaneceu com respiração artificial. Os médicos ajustaram gradualmente os parâmetros do aparelho conforme sua resposta clínica, mantendo-o sedado e sem dor por meio de medicamentos administrados continuamente. Um acesso venoso central foi instalado para garantir a aplicação dos fármacos. Embora os batimentos cardíacos estivessem um pouco acelerados, seu quadro geral se manteve estável durante as primeiras horas de observação.
Francisco Valadares Neto é citado nas investigações da Polícia Civil do Acre como suposto mandante do crime que vitimou a médica Elyne de Assis Nogueira, morta a tiros no dia 2 de novembro em Brasiléia. Ele segue internado e as investigações prosseguem.











