RIO BRANCO (AC) – O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirmou em entrevista nesta quarta-feira (7) que o Acre teve o melhor desempenho do país no comércio exterior em 2025, com exportações que ultrapassaram R$ 500 milhões e um superávit histórico de US$ 93,7 milhões. Ao mesmo tempo, defendeu a ampliação de linhas de crédito para pequenos produtores e apontou o café robusta amazônico como novo produto estratégico para impulsionar ainda mais as vendas internacionais do estado.
O resultado nacional também foi celebrado por Viana: as exportações brasileiras alcançaram US$ 348,7 bilhões em 2025 – marca recorde –, mesmo em cenário de tensões internacionais, tarifas e queda nos preços das commodities. Para ele, o feito é fruto da retomada da diplomacia presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Superamos o tarifário. Foi um momento de muita dificuldade, mas funcionou a diplomacia presidencial. O presidente soube esperar o momento certo para conversar com o presidente Trump”, destacou. Ao todo, foram 24 missões econômicas lideradas por Lula (19 após assumir a presidência e cinco como vice) com participação de cerca de 8 mil empresários em todo o mundo, além do trabalho conjunto com o Itamaraty, ministérios e setor produtivo, que resultou na abertura de mais de 500 mercados.
O chefe de inteligência da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, detalhou o cenário internacional, explicando a diferença entre o tarifário norte-americano e medidas tradicionais de salvaguarda. “A medida americana foi unilateral, sem passar pelos mecanismos multilaterais da OMC. Já em casos como o da China, há investigações e devido processo legal. Recentemente, houve atenuações, com retirada de vários produtos da lista”, afirmou.
No que diz respeito ao comércio geral do país, as importações avançaram 6,7% – considerado positivo por Viana, pois “mostra que o país está modernizando sua indústria” –, enquanto as exportações cresceram 3,5%. O fluxo total de comércio exterior do Brasil aumentou 5,7%, mais do que o dobro da média mundial de 2,4%. “Estamos exportando e importando acima da média global, o que demonstra dinamismo econômico”, avaliou.
Acre bate recordes e diversifica carteira de exportações
O desempenho do Acre se destacou mesmo em meio à queda de preços das commodities. Em 2025, o estado alcançou US$ 98,9 milhões em exportações – um salto em relação aos US$ 87 milhões de 2024 e aos US$ 50 milhões registrados em 2022, até então o maior patamar histórico. O fluxo de comércio chegou a US$ 104 milhões.
Os principais produtos vendidos para o exterior foram carne bovina (US$ 27 milhões), carne suína (US$ 17 milhões), soja (US$ 20 milhões), castanha-do-brasil (US$ 12 milhões) e madeira (US$ 5 milhões). A castanha, em especial, tem papel social relevante, gerando renda para pequenos produtores, seringueiros e extrativistas, com destaque para a Cooperacre e outras empresas locais.
“Enquanto estados como Ceará, Goiás e Mato Grosso registraram queda, o Acre cresceu cerca de 90% em 2024 e mais de 10% em 2025”, ressaltou Viana. Ele também destacou o avanço da pecuária: boa parte da carne suína consumida no Peru sai da Dom Porquito, projeto ligado à Estrada do Pacífico iniciado no governo Tião Viana. “O Acre é o estado brasileiro mais próximo do Pacífico, e esse projeto começa a se materializar”, disse.
Para os próximos ciclos, a expectativa é incluir o café na lista de exportações do estado. “O café robusta amazônico tem grande potencial. A previsão é vender entre 2 e 5 milhões de dólares já em breve”, afirmou o presidente da ApexBrasil.
Crédito ao pequeno produtor é apontado como desafio chave
Apesar dos resultados positivos, Viana alertou sobre a necessidade de fortalecer políticas públicas para garantir que o crescimento das exportações resulte em distribuição de renda. “Hoje, ainda é difícil para um pequeno produtor conseguir crédito para implantar áreas irrigadas. Isso precisa mudar com articulação entre governos, bancos e cooperativas”, defendeu.
Ele citou o modelo da Dom Porquito como exemplo replicável: “O Banco da Amazônia financia os produtores, tendo a empresa como avalista. Esse mesmo formato pode ser usado no café, no açaí e na castanha. Exportar é papel da Apex, mas produzir exige apoio local”.
Sobre sua pré-candidatura ao Senado, Viana afirmou que a decisão final será tomada até abril, após diálogo e reflexão. “O Senado é importante porque o Acre tem peso igual ao de estados maiores. A política está difícil, marcada por conflitos, mas estou otimista. Com união, planejamento e trabalho, o Acre pode chegar a um bilhão de reais em exportações. O caminho está posto”, concluiu.









