RIO BRANCO (AC) – O Acre não possui nenhuma unidade hospitalar entre os 100 melhores do Sistema Único de Saúde (SUS) do país, conforme levantamento nacional divulgado nesta semana. O estado integra um grupo de seis outras unidades federativas que ficaram fora do ranking: Amapá, Rondônia e Roraima (Norte), além de Alagoas, Mato Grosso e Paraíba – um cenário que evidencia a desigualdade estrutural na distribuição de serviços de referência em saúde pelo Brasil.
O estudo, que marca a primeira edição do Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil, foi conduzido pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross) em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Instituto Ética Saúde (IES), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Foram analisados hospitais federais, estaduais e municipais sob gestão integral do SUS, com base em dados coletados entre agosto de 2024 e julho de 2025.
São Paulo concentra 30% dos estabelecimentos selecionados, liderando o ranking nacional. Em seguida aparecem Goiás, com dez hospitais; Pará e Santa Catarina, com sete cada; e Pernambuco e Rio de Janeiro, com seis unidades cada um. Na Região Norte, apenas Pará (sete hospitais) e Amazonas (três) conseguiram colocar instituições na lista. Ao todo, os 100 melhores estão distribuídos em 19 estados e no Distrito Federal, com forte concentração nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Os critérios de avaliação contemplaram acreditação hospitalar, indicadores de mortalidade, taxas de ocupação, disponibilidade de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e tempo médio de internação. A seleção dos dez melhores hospitais do país será anunciada em maio.
O secretário de Estado de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, afirmou que o resultado expõe um problema acumulado ao longo de décadas, especialmente nas regiões mais distantes dos grandes centros urbanos. “A ausência de hospitais acreanos no ranking reflete uma desigualdade estrutural que não se forma da noite para o dia”, comentou.
No entanto, ele ressaltou que o governo estadual já adota medidas para reverter o cenário. “Estamos trabalhando para fortalecer a rede pública de saúde com investimentos em modernização das unidades, regionalização dos serviços e melhoria contínua da assistência. Nosso objetivo é garantir que a população do interior tenha acesso ao mesmo nível de cuidado oferecido nos grandes centros”, destacou o secretário.









