O Ministério Público do Amazonas (MPAM) abriu investigação formal para apurar possíveis irregularidades no acompanhamento de crianças indígenas Yanomami diagnosticadas com desnutrição grave em Santa Isabel do Rio Negro. O inquérito civil analisa casos registrados ao longo de 2025 e neste ano, com foco principal na continuidade da assistência depois que os pacientes recebem alta dos hospitais.
Conforme relatórios do Hospital Irmã Edwiges Maria Sikorska, várias crianças deram entrada com desnutrição proteico-calórica severa, muitas delas também acometidas por pneumonia e bronquiolite. Em razão do quadro delicado, parte dos pequenos pacientes precisou ser transferida para unidades de saúde em Manaus.
Há indícios de que, ao retornarem às suas aldeias, algumas dessas crianças deixaram de receber o suporte nutricional e o monitoramento de saúde necessários — o que pode ter levado ao agravamento ou recidiva da condição de vulnerabilidade alimentar. Outro ponto questionado pela Promotoria é a ausência de respostas do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami a solicitações de informações feitas ainda na fase preliminar da apuração.
Para dar andamento aos trabalhos, o MP determinou prazo de 15 dias para que o DSEI apresente documentos detalhados: relatórios de acompanhamento das crianças, estrutura disponível para atendimento na região, plano de combate à desnutrição infantil, estoque de insumos nutricionais e cronograma de visitas das equipes às comunidades.
Também foram acionados para prestar esclarecimentos a direção do hospital, a Secretaria Municipal de Saúde, a Funai, o Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), o Conselho Tutelar e o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) do município.
“A meta é identificar falhas na linha de cuidado e assegurar que nenhuma criança fique desassistida após sair do hospital, evitando que volte a sofrer com a desnutrição”, explicou a promotora de Justiça Taize Moraes Siqueira, responsável pela investigação.












