A região que faz divisa entre o Amapá e o norte paraense passou a ser um dos principais focos de garimpo irregular na Amazônia — consequência direta do fortalecimento de operações de combate ao crime ambiental em territórios vizinhos. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) atua de forma mais rigorosa no local por meio das ações Calha Norte e Domo Amazônico, com destruição de equipamentos, desmantelamento de acampamentos e apreensão de insumos usados na extração.
Só neste ano, já foram realizadas seis grandes intervenções federais no estado. Duas delas aconteceram em maio, atingindo o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e o Vale do Jari — unidades de conservação de importância global. Em uma das bases investigadas, fiscais encontraram e inutilizaram 441 artefatos explosivos, empregados para abrir acessos em trechos remotos.
Rota de fuga e estrutura organizada
Conforme explica o próprio Ibama, redes criminosas migraram para ali depois de serem expulsas da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Instalaram‑se primeiro na região do Sararé, em Mato Grosso; com nova pressão oficial, seguiram em direção ao Amapá e chegam a invadir áreas do Parque Amazônico da Guiana Francesa. Dados do Greenpeace mostram que a atividade ilegal caiu mais de 95% no território yanomami ao longo de 2025.
A alta cotação internacional do ouro também impulsiona o negócio: o valor dobrou nos últimos dois anos. O lucro maior financia logística cara — máquinas pesadas, pistas secretas, aeronaves e estoques de combustível. Levantamentos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal confirmam que parte desse minério abastece mercados na Europa, Ásia e Estados Unidos.
Rastreamento e parceria transfronteiriça
Para interromper esse fluxo, o Brasil e a França assinaram em 2025 convênio voltado especificamente à fronteira com a Guiana Francesa. Faz parte da estratégia o programa Ouro Alvo, que recorre a exames laboratoriais capazes de identificar a “impressão digital geológica” — ou “DNA do ouro” —, provando de qual localidade veio o material e facilitando a responsabilização por lavagem de recursos.
A expansão da exploração clandestina ameaça justamente uma das porções melhor preservadas da floresta, colocando em risco reservas naturais, terras indígenas, cursos d’água e o modo de vida de populações tradicionais.












