Disputa pelo celular de Vorcaro esquenta no STF às vésperas de sessão sobre Alexandre de Moraes

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Disputa pelo celular de Vorcaro esquenta no STF às vésperas de sessão sobre Alexandre de Moraes

A tensão no Supremo Tribunal Federal (STF) se intensificou neste fim de semana, com ministros em confronto direto sobre o acesso ao conteúdo extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O desfecho pode definir os rumos do julgamento marcado para a terça-feira (15), quando a Corte analisa a validade de relatório da Polícia Federal que aponta supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro.

Zanin e Gilmar pedem acesso integral aos dados; Mendonça se opõe

No domingo (13), o ministro Cristiano Zanin determinou que a PF entregasse até as 23h a íntegra dos dados do celular de Vorcaro. Horas depois, Gilmar Mendes reiterou o pedido e solicitou cópia da mídia extraída do aparelho ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Os pedidos foram feitos após o relator do caso, ministro André Mendonça, se opor à divulgação do material antes do julgamento, alegando que poderia “tumultuar” a sessão.

Mendonça afirmou que os documentos em seu gabinete são cópias intactas e ainda não foram examinados por ele, enquanto os arquivos originais permanecem com a PF. Para Zanin, o acesso integral é indispensável: “Não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, até porque todos eles estão submetidos ao dever de sigilo e de bem desempenhar suas funções, com imparcialidade e independência.”

PF confirma capacidade de fornecer cópias a todos os ministros

Em resposta ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a Polícia Federal esclareceu que os dados originais do aparelho — um Apple iPhone 17 Pro, apreendido em 18/11/2025 na Operação Compliance Zero — permanecem sob sua custódia. A instituição ratificou que tem condições técnicas de produzir e encaminhar cópias idênticas a todos os gabinetes que as solicitarem, com as cautelas de sigilo necessárias. A PF também informou que o material enviado ao gabinete de Mendonça, em março deste ano, era uma cópia solicitada pelo próprio gabinete, e não os arquivos originais.

Moraes pede quebra de sigilo; Fachin aciona PGR

Na noite de domingo, o ministro Alexandre de Moraes solicitou a Fachin a quebra de sigilo de mais um inquérito no âmbito do Caso Master, argumentando que “elementos essenciais” não foram tornados públicos por Mendonça. Moraes pediu que os dados sejam disponibilizados a todos os ministros da Corte. Em resposta, Fachin pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) com brevidade.

Crise no STF se arrasta desde setembro

O conflito eclodiu em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação em que o nome de Moraes aparece. O relatório da PF revelou supostas trocas de mensagens entre o ministro e Vorcaro, desencadeando uma série de reações: Moraes pediu a investigação de Mendonça; Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; e o ministro Flávio Dino reintegrou Rodrigues em outro inquérito.

Fachin interveio para conter a crise: negou o pedido de Moraes para investigar Mendonça, retirou a relatoria do Inquérito das Fake News de Moraes, suspendeu as decisões de Mendonça e Dino sobre a PF, determinou a retirada de sigilo do processo do Caso Master e puxou para si a relatoria do caso das mensagens entre Moraes e Vorcaro. Também remeteu à presidência os processos sobre fraudes no INSS e no escândalo do Banco Master, que estavam com Mendonça. A tendência é que Fachin assuma as relatorias, deixando os processos paralisados até nova determinação.

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