O exame molecular que detecta a presença do vírus HPV, principal causador do câncer do colo do útero, já está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde em todos os estados brasileiros, com exceção apenas do Espírito Santo. A confirmação foi feita pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira, 28 de outubro. A nova tecnologia permite identificar a infecção antes mesmo do surgimento de lesões que possam evoluir para a doença, e uma das principais vantagens é que, caso o resultado seja negativo, a mulher só precisa repetir o exame após cinco anos, conforme recomendação do Ministério da Saúde.
Desde o início da implantação, em 2025, já foram coletadas mais de 153 mil amostras em todo o país. Somente neste ano, foram analisadas 93 mil amostras, das quais 9.904 apresentaram resultado positivo para os tipos de HPV considerados de alto risco, incluindo os tipos 16 e 18, responsáveis pela maioria dos casos mais graves. O exame é realizado nas Unidades Básicas de Saúde, por profissionais capacitados, e em algumas situações a própria mulher pode fazer a coleta, recebendo orientação da equipe de saúde. Enquanto o novo teste é expandido de forma gradual, o exame preventivo tradicional, o Papanicolau, continua disponível e sendo oferecido normalmente nas unidades de saúde. O Instituto Nacional de Câncer estima que o Brasil registre cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano, entre 2026 e 2028.
A doença frequentemente não apresenta sintomas em sua fase inicial, e por isso a importância do rastreamento. Entre os sinais que merecem atenção estão sangramento durante ou após a relação sexual, sangramento fora do período menstrual ou depois da menopausa, dor durante a relação e corrimento vaginal com sangue ou odor desagradável. Além dos exames, a vacinação contra o HPV é uma das principais formas de prevenção. Em 2025, a cobertura vacinal no país chegou a 87% entre meninas e 74% entre meninos, na faixa etária recomendada de 9 a 14 anos.
Vacinação e exames periódicos formam, juntos, a melhor estratégia para evitar que a doença se desenvolva e garantir diagnóstico precoce e tratamento eficaz.












