A Polícia Civil do Acre e o Ministério Público estadual formalizaram nesta terça-feira (3) um novo pedido de prisão preventiva contra o procurador municipal Francisco Valadares Neto, apontado como mandante do feminicídio da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, morta a tiros na noite de segunda-feira (2), em Brasiléia.
O pedido chega após duas tentativas anteriores do MP, indeferidas pela Justiça nas datas de 25 de agosto e 15 de outubro deste ano. Desta vez, a promotora de Justiça Luana Diniz Lírio Maciel também solicitou ao Iapen os registros da tornozeleira eletrônica usada por Valadares, na expectativa de que os dados de localização ajudem a esclarecer seus deslocamentos no período do crime.
O investigado encontra-se internado no Pronto-Socorro de Rio Branco, para onde foi transferido na tarde desta terça-feira. Ele foi encontrado desacordado em sua residência, sendo a hipótese inicial de uma possível overdose envolvendo cocaína e medicamentos — informação que ainda aguarda confirmação médica oficial.
O primeiro pedido de prisão preventiva foi apresentado pelo MP em 25 de agosto, logo após Elyne preencher o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), sinalizando perigo iminente. Em 15 de outubro, o Ministério Público voltou a cobrar a detenção, citando descumprimento de restrições judiciais e novos episódios de intimidação contra a vítima. Em ambas as ocasiões, a Justiça manteve o suspeito em liberdade.
Elyne foi executada com dois disparos de revólver enquanto estava sentada em um estabelecimento comercial, acompanhada de amigos e uma criança. O atirador se aproximou por trás e fugiu em seguida; já foi identificado pela polícia, mas segue foragido. Minutos antes de ser atingida, a médica acionou seu botão de pânico — e os registros desse acionamento, somados aos dados da tornozeleira do suspeito, passam a ser peças-chave para reconstituir os fatos e fortalecer a investigação.










