Ex-BB e Petrobras: quem comanda banco de Edir Macedo investigado pela PF

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Ex-BB e Petrobras: quem comanda banco de Edir Macedo investigado pela PF
De estatais do governo do PT ao banco de Edir Macedo: Bendine preside instituição alvo da PF Crédito: Agência Brasil

Presidente executivo do Banco Digimais — instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo e alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira —, Aldemir Bendine voltou aos holofotes ao ser associado a uma nova fase de investigações envolvendo o banco. As informações são de O Globo.

Bendine ganhou projeção nacional ao comandar duas das maiores estatais do país durante governos do PT: o Banco do Brasil e a Petrobras.

Natural de Paraguaçu Paulista (SP), ele ingressou no Banco do Brasil em 1978 como escriturário e construiu uma longa trajetória na instituição, até ser escolhido em 2009 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a presidência do banco.

Em 2015, já no governo Dilma Rousseff, assumiu o comando da Petrobras em meio à crise da Operação Lava-Jato, permanecendo no cargo até 2016.

Em 2017, Bendine foi preso no âmbito da 42ª fase da Lava-Jato, acusado pelo Ministério Público Federal de ter solicitado e recebido propina da Odebrecht. Ele sempre negou as acusações. No ano seguinte, foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas a decisão foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019, que apontou falhas processuais. Posteriormente, voltou a ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Após os desdobramentos judiciais, retornou ao mercado financeiro e, em janeiro de 2026, assumiu a presidência executiva do Digimais. A instituição afirmou que sua contratação faz parte de uma estratégia de expansão, com foco no crédito consignado.

Operação Miragem

A Polícia Federal investiga o banco no âmbito da Operação Miragem, que apura suspeitas de manipulação de balanços, ocultação da real situação financeira e operações financeiras consideradas irregulares.

Segundo as investigações, relatórios do Banco Central apontam possíveis inconsistências contábeis e indícios de manipulação sistemática de resultados para aparentar solvência. A PF também apura a possível realização de operações ilegais em benefício da controladora e a inserção de dados falsos em sistemas regulatórios.

A Operação Miragem também alcançou outros integrantes da alta administração do banco, entre eles os diretores estatutários João Alves de Campos e Marcelo de Lima Brasil. Segundo a investigação, eles integravam o núcleo responsável pelas principais decisões estratégicas e operacionais da instituição.

Embora não haja, até o momento, indicação de participação institucional da Igreja Universal na gestão do Digimais, a presença de dirigentes ligados ao círculo empresarial de Edir Macedo aparece de forma recorrente na composição da cúpula do banco ao longo dos últimos anos.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão e autorizou o afastamento de sigilos bancário e fiscal, além do bloqueio de bens que podem chegar a cerca de R$ 670 milhões.

Os investigados podem responder por crimes como gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrações contábeis e operações de crédito vedadas, previstos na legislação do sistema financeiro.

O Banco Digimais afirmou, em nota, que está à disposição das autoridades e colabora com as investigações, reforçando compromisso com transparência e conformidade regulatória.

Digimais

O Banco Digimais foi fundado em 1981, em Porto Alegre (RS), originalmente como Banco Renner, criado pela família homônima. A instituição passou por mudanças de controle ao longo das décadas e adotou o nome atual em 2020, quando foi reestruturada para atuar como banco digital.

Naquele mesmo ano, o bispo Edir Macedo assumiu o controle integral da antiga instituição, após já ser acionista minoritário desde 2009. A partir da nova gestão, o banco foi rebatizado e passou a operar sob nova direção, período em que também começou a registrar deterioração financeira, com prejuízo de R$ 740 milhões em 2022, além de ser alvo de disputas judiciais e suspeitas envolvendo carteiras de crédito.

Pai e filho em postos-chave

A ascensão do Banco Digimais coincidiu com a chegada ao comando da instituição de executivos ligados ao entorno empresarial de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador do banco. O caso mais emblemático é o de João Luiz Urbaneja. Bispo da Universal, ele assumiu a presidência do então Banco Renner após a consolidação da compra da instituição por Macedo, em 2020, participou da transição para a marca Digimais e, em maio de 2024, foi alçado à presidência do Conselho de Administração. Nesta posição, tornou-se um dos principais alvos da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira.

Outro investigado é Thiago Rodrigues Urbaneja, filho do bispo, que ocupava a presidência executiva do banco quando a operação foi desencadeada. Enquanto João Luiz comandava o colegiado responsável pela supervisão e pelas diretrizes estratégicas da instituição, Thiago liderava a gestão operacional do dia a dia. Na prática, pai e filho concentravam os dois cargos mais relevantes da estrutura de governança do Digimais. Atualmente, a presidência executiva é exercida por Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras.

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