Influenciadora Deolane Bezerra é presa em operação contra o PCC em São Paulo

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Influenciadora Deolane Bezerra é presa em operação contra o PCC em São Paulo

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira durante a deflagração da Operação Vérnix, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A ação investiga a existência de uma vasta estrutura financeira ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), destinada a ocultar e movimentar recursos ilícitos, e resultou na expedição de seis mandados de prisão preventiva.

Além de Deolane, são alvos da operação Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola – apontado como líder da facção e que já se encontra preso –, um irmão e dois sobrinhos dele, além de Everton de Souza, o “Player”, tido como operador financeiro do grupo. Como medida cautelar, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em valores, o sequestro de 17 veículos — incluindo modelos de luxo avaliados em R$ 8 milhões — e a apreensão de quatro imóveis vinculados aos investigados.

As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos com dois detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material revelou detalhes sobre a organização interna da facção, a atuação de lideranças encarceradas e planos de ações contra agentes públicos. A partir daí, foram abertos três inquéritos, cada um aprofundando um aspecto da rede criminosa.

O primeiro investigou os detentos que portavam os documentos e trouxe à tona menções a uma “mulher da transportadora”, que teria a função de levantar endereços de servidores para possíveis ataques. O segundo inquérito identificou uma empresa de transporte na região, posteriormente reconhecida como instrumento de lavagem de dinheiro, e levou à Operação Lado a Lado. Na ocasião, a apreensão de um celular permitiu cruzar dados e encontrar ligações diretas com Deolane Bezerra, que mantinha contatos e transações com pessoas ligadas à cúpula da organização.

De acordo com as autoridades, a influenciadora ocupou papel central no esquema, mantendo vínculos pessoais e comerciais com gestores da empresa investigada. Para os investigadores, ela utilizou sua imagem pública, atividades empresariais e patrimônio como uma camada de aparente legalidade para dar lastro a recursos de origem duvidosa. Os levantamentos apontam movimentações financeiras milionárias, aquisição de bens de alto padrão e o uso de sucessivas estruturas de empresas para dificultar o rastreamento do dinheiro.

A investigação também identificou ramificações internacionais: três alvos estão fora do Brasil, na Itália, Espanha e Bolívia. A Polícia Civil já solicitou à Interpol a inclusão deles na Lista Vermelha, para facilitar sua localização e extradição. Segundo a polícia e o Ministério Público, todas as operações analisadas careciam de explicação lícita e compatível com a renda e atividade formal dos envolvidos.

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