Padre Fábio de Melo admite que fama o tornou arrogante e reflete sobre rumores e dor do luto

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Padre Fábio de Melo admite que fama o tornou arrogante e reflete sobre rumores e dor do luto

Em uma entrevista franca e profunda ao videocast Conversa Vai, Conversa Vem, do jornal O Globo, o Padre Fábio de Melo abriu o coração e falou sobre os desafios da exposição pública, admitindo que, em determinado momento, a fama subiu à sua cabeça e o transformou em uma pessoa arrogante. Aos 55 anos, o sacerdote contou que se assustou ao reconhecer em si mesmo comportamentos que ele mesmo costumava criticar nos outros.

“Meus maiores arrependimentos foram quando identifiquei a arrogância que reprovo no outro repetida em mim”, confessou. Ele explica que a velocidade com que se tornou conhecido foi um dos principais motivos dessa mudança de comportamento. “Sempre fui calmo, gostei da rotina. De repente, fazia 35 shows por mês pelo Brasil. Essa visibilidade muito rápida provocou dispersão interior”, relembrou.

Com o tempo, ele aprendeu a lidar com o sucesso e passou a ver a fama de outra forma: “Hoje lido bem, entendi que há uma medida. O tanto que sou para o outro precisa ser o dobro para mim em busca de autoconhecimento”. Para ele, “a fama é um roubo”. “É uma ilusão. Rouba você daquilo que mais ama fazer, tira a sua espontaneidade e traz o risco constante de se achar mais importante do que os outros”, refletiu.

O ponto de virada, segundo ele, aconteceu diante da dor profunda causada pela morte da irmã, que tirou a própria vida. “Nada nos amarra mais ao lugar certo do que a dor. Quando minha irmã se matou, foi muito doloroso, ainda é. É da natureza humana sentir culpa, mesmo sabendo que fizemos tudo o que podíamos. Foi um sofrimento muito cruel”, desabafou, dizendo que essa perda o fez “voltar a si mesmo”.

Durante a conversa, ele também rebateu os comentários maldosos e especulações sobre a sua vida íntima e sexualidade, assunto que sempre gera curiosidade e boatos. “Sempre vou ser vítima disso. Se ando com uma pessoa, já inventam que tenho um caso. Mas isso não me ofende. O que me ofenderia é dizer que sou mau caráter, que roubei, que feri ou tratei mal alguém”, afirmou.

Para o padre, a vida pública virou um campo de batalha desnecessário. “A vida sexual de um padre sempre desperta curiosidade, estou acostumado. Mas se eu parar tudo o que faço para responder a cada opinião alheia, eu não vivo mais. Estamos adoecendo ao transformar tudo em conflito”, finalizou.

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